O governo federal sancionou uma nova lei que amplia a oferta de medicamentos trombolíticos no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de urgência de infarto e AVC isquêmico em todo o Brasil. A medida, que passa a valer imediatamente, visa garantir o atendimento rápido em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e ambulâncias do Samu 192, reduzindo sequelas graves e mortes.
Esses fármacos atuam diretamente na dissolução de coágulos sanguíneos que obstruem as artérias do coração ou do cérebro. Ao restabelecer rapidamente o fluxo de sangue, a terapia evita danos irreversíveis aos tecidos desses órgãos vitais durante crises agudas.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a agilidade na administração do tratamento é crucial para salvar vidas. Em situações de emergência cardiovascular, cada minuto sem assistência adequada aumenta significativamente os riscos de óbito ou de incapacidades físicas permanentes para o paciente.
A aplicação rápida é especialmente importante quando procedimentos cirúrgicos complexos, como a angioplastia, não estão disponíveis de imediato. Nesses cenários, o paciente recebe a medicação estabilizadora enquanto aguarda a transferência para uma unidade hospitalar de alta complexidade.
Criação de comitê de acompanhamento
Para assegurar a distribuição eficiente dos insumos, antes sob responsabilidade exclusiva de gestores locais, o Ministério da Saúde instituiu um comitê técnico especializado. Esse grupo de trabalho vai monitorar as linhas de cuidado e estabelecer diretrizes nacionais para padronizar o atendimento de urgência.
A iniciativa conta com a colaboração de sociedades médicas especializadas. O objetivo principal é unificar protocolos clínicos e acelerar a resposta terapêutica em todo o território nacional, transformando o prognóstico de pacientes cardíacos no país.
Dados epidemiológicos no Brasil
Anualmente, o Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto. Além disso, em 2025, a rede pública realizou 292 mil atendimentos decorrentes de AVC, sendo que 218 mil foram do tipo isquêmico, caracterizado pela obstrução arterial cerebral.
Atualmente, 102 ambulâncias de Suporte Avançado de Vida do Samu 192 estão habilitadas para realizar essa intervenção precoce. O estado do Ceará lidera com 28 unidades preparadas, seguido por Minas Gerais com 22, Sergipe com 16 e Rio Grande do Norte com 13.
Outros estados como Bahia, São Paulo e Paraíba também contam com equipes capacitadas. Em 2025, as equipes de socorro móvel realizaram 861 aplicações bem-sucedidas do fármaco diretamente no ambiente pré-hospitalar, salvando vidas antes mesmo da chegada ao hospital.