A vacinação infantil contra a covid-19 atinge apenas 5% do público-alvo com o esquema completo de três doses no Brasil, em meio a dados do Ministério da Saúde que apontam mais de 1,1 mil internações graves e 25 óbitos de crianças e adolescentes causados pela doença em 2026, impulsionados pela proliferação de notícias falsas.
Em entrevista à Agência Brasil, o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, ressalta que o país possui estoques suficientes para atender à demanda. No entanto, ele atribui os índices alarmantes de adesão à forte campanha de desinformação deflagrada durante a pandemia, inclusive por ex-integrantes do governo federal.
Desde o início de 2024, a imunização contra o coronavírus integra o calendário básico de vacinação de rotina para bebês de 6, 7 e 9 meses, com repescagem permitida até os 5 anos. Contudo, a hesitação dos pais, alimentada por receios infundados, tem gerado o descarte desnecessário de imunizantes já descongelados e mantido os riscos para a saúde pública infantil.
Segurança e eficácia comprovadas das vacinas
Dados da Universidade de São Paulo (USP) comprovam que a proteção vacinal reduziu em 97% os casos graves de covid-19 em crianças. A incidência de reações adversas permanece extremamente baixa, com 92% das notificações classificadas como leves, enquanto agravantes como a Síndrome Inflamatória Multissistêmica e complicações cardíacas decorrentes da própria infecção representam riscos significativamente maiores.
Para combater essa barreira cultural, o Ministério da Saúde intensificou a vigilância e reforçou que todas as plataformas tecnológicas utilizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) foram rigorosamente testadas em fases clínicas antes de sua distribuição nacional, garantindo total controle de qualidade e segurança aos pacientes.
Avanços e desafios do PNI
Com a ampliação do orçamento anual de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões, o PNI projeta otimizar as estratégias de imunização nos municípios. Enquanto imunizantes tradicionais voltam a crescer em cobertura, como a tríplice viral, novas tecnologias contra a dengue, o vírus sincicial respiratório (VSR) e a introdução da vacina VPC20 reforçam o compromisso de proteger a população contra múltiplas patologias.