O Ministério Público do Ceará (MPCE) anunciou, por meio de um despacho emitido na última sexta-feira (29/05), a aplicação de sanções a cinco torcedores do Ceará. As medidas são uma resposta direta a um protesto realizado em 26 de maio nas imediações da sede do clube, o Vozão, que culminou em tumulto, incitação à violência e desordem, exigindo a intervenção da Polícia Militar.
O documento do Ministério Público também ratifica a punição previamente imposta pela Polícia Militar a diversas torcidas organizadas do Ceará, incluindo a Torcida Organizada do Ceará (TOC), Fúria Jovem, Ceará Cana e Alfa Alvinegros. Inicialmente suspensas por cinco partidas, a instalação de materiais como faixas, bandeiras e instrumentos musicais nos estádios foi modulada para um período de três jogos.
A suspensão aplicada aos cinco torcedores individuais coincide com a duração da penalidade às organizadas, abrangendo três jogos. Entre os identificados estão os conselheiros do clube, Evaldo Edmundo Ataíde de Holanda Neto, apontado pelo MPCE como o principal organizador do ato, e Mauro Jeferson Martins da Silva.
Os demais torcedores citados no despacho são Anderson Pinheiro Saldanha, Emanoel Lucas Silva Cavalcante e Leonardo Nogueira da Silva. Todos foram explicitamente mencionados no documento como indivíduos “diretamente relacionados aos atos de desordem narrados” durante o incidente.
Para garantir a efetividade da punição, a suspensão dos torcedores será comunicada à Secretaria de Esportes do Estado do Ceará e à Administração do Estádio Presidente Vargas (PV). Essa comunicação visa implementar o bloqueio eletrônico nas catracas, impedindo o acesso dos indivíduos aos jogos.
O despacho enfatiza que o protesto teve sua origem em “conflitos internos de natureza político-administrativa” dentro do próprio clube. Essa situação escalou para um cenário de “desordem generalizada”, resultando na perda de controle coletivo e tornando indispensável a atuação das forças de segurança pública para conter e dispersar os manifestantes.
Entre as condutas consideradas de “elevada gravidade”, o documento detalha o arremesso contínuo de pedras, garrafas de vidro e artefatos pirotécnicos contra o efetivo policial. Além disso, foram utilizados rojões direcionados à sede do clube, o que, conforme o MPCE, “criou risco concreto de incêndio e perigo à integridade física de terceiros”.
Outros agravantes elencados incluem a tentativa de invasão do imóvel, com “esforço deliberado para danificação da grade de proteção”, o “desrespeito à ordem pública e às autoridades competentes”, agressões à Polícia Militar e a instauração de um ambiente de pânico, correria e insegurança generalizada.
O Ministério Público avaliou que a ampla repercussão do ocorrido nas mídias sociais intensificou o “efeito multiplicador” da conduta violenta, contribuindo para a “banalização de práticas incompatíveis com o ordenamento jurídico”.
Finalmente, o despacho reitera que as medidas restritivas de acesso e participação em eventos são “instrumentos de contenção e prevenção da violência”. A recorrência de comportamentos similares envolvendo torcidas organizadas em eventos esportivos recentes foi citada como um fator que “evidencia a necessidade de resposta institucional firme e coerente”.