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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
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Obesidade: Um procedimento sem cortes emerge como opção à cirurgia bariátrica e aos medicamentos injetáveis

Em conversa com o portal LeoDias, o gastrocirurgião e endoscopista Dr. Eduardo Grecco detalhou a técnica, globalmente validada, que se apresenta como uma abordagem menos invasiva e eficiente contra a obesidade.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Obesidade: Um procedimento sem cortes emerge como opção à cirurgia bariátrica e aos medicamentos injetáveis
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No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, estatísticas preocupantes vêm à tona. O Atlas Mundial da Obesidade 2025, divulgado pela World Obesity Federation, revela que aproximadamente 68% dos adultos brasileiros enfrentam excesso de peso, e 31% já são classificados com obesidade. A progressão dessa condição aumenta significativamente os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão e outras enfermidades crônicas ligadas a um Índice de Massa Corporal (IMC) elevado.

Frente a este panorama, a busca por terapias eficazes e menos agressivas tem se intensificado. Dentre as opções, destaca-se a gastroplastia endoscópica, um procedimento que não exige incisões e que diminui o tamanho do estômago através de suturas internas realizadas por via endoscópica.

Em declaração ao portal LeoDias, o gastrocirurgião e endoscopista Dr. Eduardo Grecco, docente da Faculdade de Medicina do ABC, esclarece que, embora ainda não seja amplamente difundida, a metodologia já possui reconhecimento global e é utilizada no Brasil desde 2017.

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“Desenvolvemos uma abordagem que já é mundialmente validada desde 2011, com sua aplicação iniciada na Europa em 2013, nos Estados Unidos em 2014, e no Brasil a partir de 2017. Esta técnica, conhecida como gastroplastia endoscópica ou sutura endoscópica, tem sido amplamente empregada”, relatou o especialista.

Como a gastroplastia endoscópica opera?

A intervenção é realizada integralmente por via endoscópica, acessando o estômago pela boca, eliminando a necessidade de incisões externas ou a remoção de qualquer porção do órgão.

“Trata-se de um método endoscópico voltado ao tratamento da obesidade. Durante o procedimento, o paciente é submetido a uma endoscopia, através da qual um dispositivo realiza suturas no estômago, diminuindo seu volume. O estômago, que normalmente possui uma capacidade entre 1300 e 1500 ml, é reduzido para aproximadamente 250 a 300 ml”, detalhou o gastrocirurgião e endoscopista Dr. Eduardo Grecco.

Classificada como uma abordagem restritiva, a técnica opera ao reduzir a capacidade gástrica, o que consequentemente eleva a sensação de saciedade.

“Com a diminuição do tamanho do estômago, o paciente experimenta uma saciedade prolongada. Espera-se que, com a aplicação desta técnica, o indivíduo alcance uma perda de peso de aproximadamente 20% a 25% de seu peso inicial ao longo do tempo”, afirmou.

Distinções em relação à cirurgia bariátrica

Apesar de ser frequentemente comparada à cirurgia bariátrica, a gastroplastia endoscópica se distingue por não promover alterações no intestino nem impactar a absorção de nutrientes.

“Este método é seguro, menos invasivo e altamente eficaz, apresentando um risco de complicações significativamente menor em comparação com a cirurgia. A bariátrica, por exemplo, envolve uma ação metabólica, alterando o percurso intestinal do paciente; na gastroplastia endoscópica, isso não ocorre”, esclarece o gastrocirurgião endoscopista.

O especialista ressalta, ademais, a ausência de exigência de suplementação contínua:

“Portanto, com esta técnica, não há a necessidade de reposição vitamínica ou de suplementos por toda a vida, uma vez que a absorção de nutrientes não é modificada”, explica.

A quem se destina o procedimento?

O método é prioritariamente recomendado para indivíduos com sobrepeso (IMC superior a 27) e obesidade leve (IMC entre 30 e 35), bem como para aqueles que optam por não realizar ou possuem contraindicações à cirurgia bariátrica.

“Esses pacientes se beneficiam significativamente com uma perda de peso que varia de 20% a 25%. Além disso, pacientes com obesidade mais severa, ou seja, com IMCs mais elevados, que por vezes não são candidatos à cirurgia ou preferem não se submeter a ela, também podem optar por esta técnica, que é, reforçamos, integralmente endoscópica”, pontua.

Pronta recuperação

O procedimento tem uma duração aproximada de 40 minutos, permitindo que o paciente receba alta hospitalar no mesmo dia da intervenção.

“O paciente realiza o procedimento e retorna para casa no mesmo dia, caracterizando-se como um tratamento de hospital-dia. Ele permanece em repouso relativo por dois a três dias e, em seguida, retoma suas atividades cotidianas. Pode haver alguma dor leve ou desconforto, mas o retorno à normalidade é rápido”, descreve.

A longevidade dos resultados é outro aspecto notável.

“Atualmente, observa-se uma durabilidade de aproximadamente 3 anos, período em que o paciente consegue manter a perda de peso alcançada. Este fator é crucial, especialmente porque o maior desafio no combate à obesidade é o risco de reganho de peso”, enfatiza.

Qual o papel dos medicamentos injetáveis para emagrecimento?

Os fármacos injetáveis voltados para o tratamento da obesidade, popularmente chamados de “canetas”, representam outra opção terapêutica, contudo, demandam uma administração contínua.

“Seriam necessários, no mínimo, dois anos de utilização desses medicamentos para que o paciente alcançasse uma perda de peso comparável à da gastroplastia, o que, na prática, não acontece. Com as canetas, a perda é inferior, na faixa de 10%, 12% ou 15%. Além disso, o tratamento é oneroso e, se interrompido, os custos são elevados”, adverte.

O médico salienta a relevância do acompanhamento profissional:

“É fundamental buscar orientação médica e profissional para compreender as diversas técnicas disponíveis e determinar qual delas se alinha melhor ao seu perfil individual”, aconselha.

Acesso no Brasil

Presentemente, o procedimento é acessível exclusivamente na rede particular de saúde.

“A gastroplastia endoscópica já está amplamente disponível no Brasil, embora, por ora, restrita ao setor privado. O Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não cobre este procedimento. Contudo, a técnica já possui aprovação e cerca de 10 mil intervenções já foram realizadas em território nacional”, informa.

FONTE/CRÉDITOS: Karol Gomes
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