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Quarta-feira, 01 de Abril 2026

Economia

Petrobras analisa autossuficiência brasileira em diesel no prazo de cinco anos

A presidente da companhia, Magda Chambriard, revelou que o país importa cerca de 30% do diesel que consome atualmente.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Petrobras analisa autossuficiência brasileira em diesel no prazo de cinco anos
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Magda Chambriard, presidente da Petrobras, anunciou nesta quarta-feira (1º) que a estatal explora a viabilidade de alcançar a autossuficiência na produção de óleo diesel para o Brasil em um período de cinco anos.

O diesel, um derivado do petróleo essencial para caminhões, ônibus e tratores, tem registrado uma alta global de preços, impulsionada pelo conflito no Irã. Atualmente, o Brasil depende da importação de aproximadamente 30% do volume de diesel consumido internamente.

Chambriard detalhou que o plano de negócios anterior da companhia visava, como meta “ideal”, atender a 80% da demanda nacional, projetando uma expansão de aproximadamente 300 mil barris diários de diesel em cinco anos.

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“Estamos revisando esse plano e questionando se é possível atingir 100% [de autossuficiência] em cinco anos”, declarou a executiva durante um evento sobre energia organizado pela CNN Brasil, em São Paulo.

“É bastante provável que, considerando o apreço da Petrobras por desafios, possamos apresentar um novo plano de negócios capaz de garantir a autossuficiência do Brasil em diesel”, acrescentou.

A presidente da estatal adiantou que o plano de negócios da companhia será debatido a partir de maio, com a divulgação usualmente ocorrendo em novembro.

Refinarias

Conforme Magda Chambriard, a Petrobras pretende impulsionar a produção de diesel por meio de diversas iniciativas que já estão em andamento.

Entre as medidas está a ampliação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), localizada em Ipojuca, na região metropolitana do Recife. Magda esclareceu que, embora a refinaria tenha sido inicialmente concebida para produzir 230 mil barris de diesel por dia, as futuras expansões e modernizações permitirão que atinja 300 mil barris diários.

Outra frente de trabalho envolve o incremento da produção na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. Em conjunto com o Complexo de Energias Boaventura (anteriormente conhecido como Comperj), sua capacidade atual de 240 mil barris por dia será elevada para aproximadamente 350 mil.

A presidente da Petrobras comunicou que a empresa está empenhada em aumentar a produção em todas as suas refinarias. Ela destacou que, nas quatro unidades situadas em São Paulo, estão sendo realizadas modificações nas instalações para diminuir a fabricação de óleo combustível (empregado em fornos, caldeiras e motores de turbinas termelétricas) e, assim, dar prioridade à oferta de diesel.

“O diesel é o combustível central para o desenvolvimento nacional. Ao aumentarmos a produção de diesel, a gasolina também se beneficia, sendo ambos os principais produtos da Petrobras”, declarou.

Preço do diesel

Desde o começo do conflito no Irã, em 28 de fevereiro, até a semana encerrada em 22 de março (último dado disponível), o valor do óleo diesel S10 (variante menos poluente) registrou um aumento de aproximadamente 23% no Brasil. A informação é do painel de acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a entidade reguladora do setor.

A Petrobras implementou um reajuste de R$ 0,38 no preço do combustível em 14 de março.

Para conter essa elevação, o governo adotou providências como a isenção das alíquotas dos dois impostos federais incidentes sobre o diesel (PIS e Cofins), além de oferecer subvenções (uma forma de reembolso) a produtores e importadores do derivado.

Adicionalmente, estão em curso negociações para que o Poder Público, em colaboração com os estados, conceda um subsídio de R$ 1,20 por litro do combustível.

Na mesma quarta-feira, o querosene de aviação (QAV), outro combustível comercializado pela Petrobras, teve um reajuste de 55%. O QAV representa aproximadamente 30% dos custos operacionais das companhias aéreas.

Guerra e petróleo

O embate no Oriente Médio ocorre em uma área estratégica que abriga nações produtoras de petróleo e rotas marítimas cruciais, como o Estreito de Ormuz — por onde transita 20% da produção global. Essa situação tem gerado distorções na cadeia petrolífera e uma elevação acentuada nos preços do mercado internacional.

Nesta quarta-feira, o barril de petróleo tipo Brent (considerado a referência internacional de preços) era negociado ligeiramente acima de US$ 101 (equivalente a aproximadamente R$ 520). Antes do início do conflito, o valor do óleo girava em torno de US$ 70.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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