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Terça-feira, 21 de Abril 2026
Justiça

PF colhe depoimentos no STF sobre caso Master/BRB

As investigações apuram a aquisição de carteiras de crédito sem lastro pelo BRB, em um processo sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
PF colhe depoimentos no STF sobre caso Master/BRB
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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A Polícia Federal (PF) iniciou, nesta segunda-feira (26), a coleta de depoimentos de oito indivíduos envolvidos no caso Banco Master. As oitivas, que ocorrem no Supremo Tribunal Federal (STF) sob determinação do ministro relator Dias Toffoli, permanecem sob sigilo.

Por volta das 8h, Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB – o banco estatal do Distrito Federal implicado na negociação de ativos supostamente fraudulentos do Master – foi o primeiro a ser ouvido.

Outros três depoimentos foram agendados para esta mesma segunda-feira: André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa sob investigação; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master.

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Para a terça-feira (27), estão previstas as oitivas de Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB, e Luiz Antonio Bull, diretor de Compliance do Banco Master, ambos presencialmente no Supremo. Angelo Antonio Ribeiro da Silva, um dos sócios do Master, e o ex-sócio Augusto Ferreira Lima, prestarão depoimento por meio de videoconferência.

A Polícia Federal detalhou que as investigações visam apurar indícios de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento ou manutenção em erro de investidores, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

A decisão de Toffoli de limitar os depoimentos a apenas dois dias frustrou o planejamento inicial da PF, que pretendia realizar as oitivas ao longo de um período mais extenso, sendo esta uma das medidas do ministro que geraram insatisfação entre os investigadores.

Anteriormente, o relator já havia determinado que o material apreendido referente ao caso fosse encaminhado diretamente ao Supremo, um procedimento considerado atípico, visto que o padrão é que tais itens sejam primeiramente periciados nas instalações da PF. Contudo, o ministro reverteu a decisão e remeteu o material para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O ministro tem enfrentado pressões significativas em razão de sua condução do processo. Entre as críticas, destaca-se uma viagem que ele realizou em um jatinho particular na companhia de um dos advogados da causa, em um período em que já atuava como relator do caso.

Outra revelação divulgada pela imprensa apontou para a conexão de irmãos e um primo do ministro com um fundo de investimentos destinado à construção de um resort no Paraná, que possui vínculos com o Banco Master.

Contexto da investigação

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias que envolveram a aquisição, por parte do BRB, de carteiras de crédito do Master desprovidas de lastro. Esses títulos, que prometiam retornos acima da média do mercado, careciam, na verdade, de garantias de pagamento aos credores. A suspeita é que as irregularidades possam somar até R$ 12 bilhões.

Há suspeitas de que diretores e ex-diretores do BRB estariam envolvidos em um esquema para mascarar esses ativos considerados "podres". Embora o banco estatal tenha chegado a negociar a compra do Master, a transação foi posteriormente vetada pelo Banco Central.

Pouco tempo depois, o Banco Central determinou a liquidação do Master em razão de sua situação de insolvência. Investidores que possuíam títulos da instituição foram amparados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já efetuou pagamentos superiores a R$ 26 bilhões.

O proprietário do Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser detido em novembro, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi liberado dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Na segunda fase da operação, bens de Vorcaro foram apreendidos.

O caso, inicialmente investigado na primeira instância da Justiça Federal, ascendeu ao Supremo após a Polícia Federal apreender um documento que fazia menção a um deputado federal, detentor de foro privilegiado na Corte. Contudo, as suspeitas de envolvimento do parlamentar ainda não foram confirmadas.

As investigações envolvendo o Banco Master foram prorrogadas por 60 dias pelo ministro Dias Toffoli, em decisão proferida no último dia 16 de janeiro.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil
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