A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo o fim do segredo de Justiça sobre as transações financeiras de Daniel Vorcaro no caso Banco Master. O posicionamento, assinado pelo vice-procurador-geral Hidenburgo Chateaubriand Filho, responde a uma solicitação do ministro Alexandre de Moraes para garantir total transparência antes do julgamento que pode abrir investigação contra o magistrado.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, havia solicitado a manifestação do órgão ministerial antes de tomar uma decisão definitiva. Segundo a PGR, a retirada do sigilo é fundamental para que a Corte e a sociedade compreendam a amplitude dos fatos debatidos. O órgão revelou, inclusive, que a petição em questão estava oculta em seu sistema interno de acompanhamento processual.
O relatório da PF e as mensagens de Vorcaro
O julgamento pautado no plenário do STF analisa um relatório da Polícia Federal que expõe 52 mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O material, extraído do celular de Vorcaro, aponta uma suposta proximidade entre ambos e menciona um contrato milionário com o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
A defesa da PGR, contudo, pede a anulação deste relatório policial. O órgão alega que o ministro André Mendonça, relator original das investigações da Operação Compliance Zero, cometeu irregularidades ao dar andamento a apurações envolvendo um colega de tribunal sem a prévia autorização do plenário da Corte.
Conflito interno no STF
Em contrapartida, Moraes reagiu apresentando um documento sem assinatura atribuído à PF, sugerindo que Mendonça estaria direcionando as investigações para atingir adversários políticos. Diante disso, Moraes solicitou a Fachin a abertura de um inquérito contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, elevando a tensão institucional no STF.