O Brasil testemunhou uma redução notável no número de indivíduos que procuram trabalho por dois anos ou mais, registrando uma queda de 21,7% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este grupo agora totaliza 1,089 milhão de pessoas, marcando o patamar mais baixo desde o início da série histórica da pesquisa sobre o mercado de trabalho em 2012.
Para contextualizar, em 2025, o país contava com aproximadamente 1,4 milhão de cidadãos dedicados à busca por uma ocupação há, no mínimo, 24 meses. O pico dessa estatística foi observado em 2021, em meio à pandemia de covid-19, quando o número alcançou 3,5 milhões.
Esses dados recordes são parte integrante da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, recentemente divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A diminuição no tempo de busca por emprego também se manifesta em outras duas categorias de duração.
- Para o período de mais de um mês a menos de um ano, foram registrados 3,380 milhões de indivíduos em busca de uma oportunidade, representando uma retração de 9,9% em comparação com o primeiro trimestre de 2025. O ápice nessa categoria foi de 7 milhões, em 2021.
- Na faixa de mais de um ano a menos de dois anos, 718 mil pessoas estavam à procura de emprego, uma queda de 9% em relação a 2025. O maior número para essa duração também ocorreu em 2021, com 2,6 milhões de pessoas.
Apenas a categoria de busca por emprego com duração inferior a um mês não alcançou um novo recorde mínimo. Entre janeiro e março, cerca de 1,4 milhão de pessoas se encontravam nesta situação, um valor 14,7% inferior ao do ano anterior, mas ainda superior ao registrado em 2014, que foi de 1,016 milhão.
A análise do IBGE também detalhou a distribuição dos 6,6 milhões de desocupados no Brasil, conforme o tempo de procura por trabalho:
- Menos de um mês: 21,2% dos desocupados
- Um mês a menos de um ano: 51,4%
- Um ano a menos de dois anos: 10,9%
- Dois anos ou mais: 16,5%
Mercado de trabalho demonstra dinamismo
William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, salienta que os níveis mínimos de indivíduos em busca de ocupação, em diversas faixas de tempo, refletem o desempenho positivo do mercado de trabalho.
“As pessoas estão dedicando menos tempo para se recolocar profissionalmente. O mercado apresenta-se mais dinâmico”, afirmou Kratochwill.
É importante lembrar que, no final de abril, o IBGE já havia informado que a taxa de desemprego para o primeiro trimestre de 2026 atingiu 6,1%, o menor índice já registrado na série histórica.
Contudo, o pesquisador faz uma ponderação relevante sobre as novas ocupações: “nem sempre isso se traduz em uma melhora na qualidade do trabalho”.
Crescimento do trabalho por conta própria
A metodologia do IBGE para a pesquisa abrange o comportamento no mercado de trabalho de indivíduos com 14 anos ou mais, considerando todas as modalidades de ocupação, incluindo empregos formais, informais, temporários e por conta própria.
Conforme os critérios do instituto, é classificada como desocupada apenas a pessoa que buscou ativamente uma vaga nos 30 dias que antecederam a pesquisa. O levantamento abrange a visita a 211 mil domicílios em todas as unidades federativas e no Distrito Federal.
William Kratochwill refuta a ideia de que a diminuição do desemprego de longa duração esteja ligada ao desalento, que descreve a condição de pessoas que desistem de procurar trabalho por falta de esperança de encontrar.
“Podemos descartar a desistência como fator. O mercado de trabalho tem demonstrado resiliência nas contratações e na preservação dos postos de trabalho”, enfatizou Kratochwill.
Ele complementa que o crescimento do número de trabalhadores por conta própria também contribui significativamente para a redução do desemprego de longa duração.
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Conforme os dados da Pnad, o Brasil registrou 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria no primeiro trimestre de 2026, correspondendo a 25,5% da população ocupada. Em contraste, nos três primeiros meses de 2012, esse contingente era de 20,1 milhões.
“Esses indivíduos assumem a iniciativa de empreender e gerir o seu próprio negócio”, conclui Kratochwill.