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Quinta-feira, 14 de Maio 2026
Política

STF investiga emenda parlamentar para produtora de filme sobre Bolsonaro

Por mais de um mês, oficiais de justiça buscam notificar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) para que preste esclarecimentos sobre alegadas anomalias na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
STF investiga emenda parlamentar para produtora de filme sobre Bolsonaro
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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Por mais de um mês, agentes judiciais têm se empenhado em cumprir uma ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), visando notificar o deputado federal Mário Frias (PL-SP). O objetivo é que o parlamentar forneça explicações sobre alegadas irregularidades na alocação de emendas parlamentares a empresas vinculadas à produtora artística do filme "Dark Horse", que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 21 de março, o ministro Flávio Dino concedeu um prazo de cinco dias para que o deputado se manifestasse em relação à acusação feita pela também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar alega que Frias teria direcionado, no mínimo, R$ 2 milhões para a organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), cuja presidência é exercida pela empresária Karina Ferreira da Gama.

Karina Ferreira da Gama também lidera outras organizações e companhias, incluindo o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment. Esta última é a responsável pela produção do longa-metragem biográfico sobre Bolsonaro, com lançamento programado para os cinemas brasileiros em meados de setembro, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições.

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Conforme os registros da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada da notificação de Frias compareceu ao gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em pelo menos três oportunidades entre março e abril. Em todas as visitas, foi recebida por assessores parlamentares que justificaram a ausência de Frias, alegando que ele estaria em São Paulo cumprindo compromissos de campanha, e que não manifestaram “interesse em fornecer a agenda do parlamentar”.

Emendas

A representação protocolada por Tabata Amaral teve como base uma matéria publicada em dezembro de 2025 pelo portal The Intercept Brasil. De acordo com a reportagem, a Academia Nacional de Cultura recebeu R$ 2,6 milhões provenientes de emendas parlamentares alocadas por deputados federais membros do Partido Liberal (PL), a mesma legenda do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon também são mencionados.

Com base na reportagem, Tabata levanta a hipótese da existência de um grupo econômico formado por diversas empresas e entidades operando sob uma gestão centralizada. A parlamentar argumenta que essa estrutura poderia dificultar o rastreamento da aplicação de recursos públicos e, de forma indireta, financiar produções cinematográficas com viés ideológico.

Bia Kicis e Marcos Pollon, igualmente notificados por Dino, apresentaram seus esclarecimentos ao ministro dentro do prazo estabelecido. O deputado Pollon reconheceu ter direcionado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, visando a viabilização, por meio da Go Up Entertainment, da "produção da série documental intitulada Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem".

No entanto, conforme relatado pelo deputado, em virtude da “incapacidade da entidade beneficiária em atender a um requisito técnico fundamental”, o projeto não progrediu. Diante disso, ele optou por realocar os recursos para o setor da saúde, “especificamente em benefício do Hospital de Amor de Barretos” (SP).

“A ausência de execução afasta, de maneira integral, qualquer possibilidade de desvio de finalidade ou de irregularidade material na utilização de recursos públicos”, afirma Pollon.

Decisão política

A deputada Bia Kicis também confirmou ter alocado R$ 150 mil em verbas públicas para a produção da série Heróis Nacionais, mencionada por Pollon. E, de forma semelhante ao deputado, ela ressalta que a indicação não foi concretizada.

A parlamentar descreve a petição de Tabata Amaral como “maliciosa” por “indevidamente” vincular sua emenda “a alegadas irregularidades e desvios de finalidade”, afirmando que não existe “qualquer ligação entre a emenda [parlamentar] e a obra cinematográfica Dark Horse”.

“A pretensão de unir projetos distintos, meramente por envolverem a mesma produtora ou abordarem temas de cunho conservador, configura um erro metodológico e jurídico de grande seriedade”, argumenta a deputada.

Bia Kicis contesta a "alegação leviana" de que teria contribuído para financiar, com dinheiro público, um filme sobre Jair Bolsonaro.

“Apesar da tentativa de criminalizar a destinação orçamentária efetuada por esta parlamentar, é crucial que o Supremo Tribunal Federal examine o mérito social e econômico do projeto beneficiado, que espelha o compromisso deste mandato com a valorização da cultura e da história nacional brasileira”, declara a deputada. Ela reconhece que, ao propor sua emenda, além de impulsionar o setor audiovisual, tomou “uma decisão política fundamentada na capacidade de gerar valor para a sociedade, especialmente nas áreas da educação e da economia criativa”.

Após ser instigada pelo ministro Flávio Dino, a Advocacia da Câmara dos Deputados certificou que, sob a ótica processual, não foram detectadas irregularidades nas duas emendas de Mário Frias – as únicas listadas por Tabata Amaral em sua denúncia.

Master

Nesta quarta-feira (13), uma reportagem divulgada pelo site The Intercept Brasil trouxe à tona que o senador Flávio Bolsonaro solicitou a Vorcaro o repasse de aproximadamente R$ 134 milhões para financiar o filme "Dark Horse". Desse montante, Vorcaro teria liberado no mínimo R$ 61 milhões.

Gravações de áudio tornadas públicas indicam que o senador e o banqueiro trocaram comunicações a respeito da urgência de injeção de capital para o filme, pouco antes da primeira prisão de Vorcaro no contexto da Operação Compliance Zero. Lançada em novembro de 2025, a operação visa aprofundar as apurações sobre alegados delitos contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas transações envolvendo os bancos Master e de Brasília (BRB).

Em uma das gravações, Flávio ressalta a relevância do filme e a premente necessidade de envio dos fundos para quitar “parcelas em atraso”.

“Embora você tenha nos concedido a liberdade de te cobrar, sinto-me constrangido em fazê-lo. A questão é que o filme se encontra em um estágio extremamente crucial e, com tantas parcelas pendentes, a tensão é geral, e me preocupa um desfecho adverso ao que idealizamos para a produção”, expressa o senador, em um trecho do áudio.

Superprodução

O deputado Mário Frias, que atua como roteirista e produtor executivo do filme, declarou nesta quarta-feira (13) que o senador Flávio Bolsonaro não possui qualquer envolvimento societário na produção cinematográfica nem na produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama. Conforme Frias, a obra não recebeu “sequer um centavo” do Banco Master ou de Vorcaro.

“E mesmo que houvesse [recebido], não existiria problema algum: é uma relação estritamente particular, entre indivíduos adultos e capazes, sem o envolvimento de qualquer verba pública. E, à época, não pairava nenhuma suspeita sobre ele e seu banco”, argumentou Frias.

Mário Frias exerceu o cargo de secretário especial de cultura (2020/2022) durante a administração de Jair Bolsonaro.

No mesmo comunicado, Frias procura justificar os elevados custos da produção – que superam, por exemplo, os valores do filme "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, que somaram R$ 45 milhões.

“"Dark Horse" representa uma superprodução com padrão hollywoodiano, financiada integralmente por capital privado, contando com um ator de destaque, além de um diretor e roteirista de projeção internacional — oferecendo uma qualidade inédita para narrar a trajetória do maior líder político brasileiro do século XXI. O empreendimento é concreto, será lançado nos próximos meses e, para os investidores, promete ser um sucesso”, complementou Frias.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
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