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Sábado, 05 de Setembro 2026
Direitos Humanos

Queda nos assassinatos no campo contrasta com aumento de conflitos agrários

Levantamento da Comissão Pastoral da Terra aponta redução de mortes no primeiro semestre, mas destaca crescimento de disputas e mercantilização.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Queda nos assassinatos no campo contrasta com aumento de conflitos agrários
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Brasil registrou um crescimento nos conflitos agrários durante o primeiro semestre deste ano, enquanto o total de homicídios no campo apresentou retração na comparação com o mesmo período de 2025. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (2) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que aponta o avanço da mercantilização e da financeirização da terra em território nacional.

Nos primeiros seis meses deste ano, a entidade contabilizou seis assassinatos decorrentes de disputas agrárias. No mesmo intervalo do ano anterior, o total havia atingido 27 mortes. Em contrapartida, o volume geral de ocorrências subiu de 798 para 841.

O Maranhão manteve-se na liderança dos registros estaduais, contabilizando 156 casos no primeiro semestre de 2026. A lista segue com Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63).

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Estes dados preliminares servem para monitorar as tendências atuais e vão compor o relatório anual de 2027. O levantamento consolida informações de agentes da CPT, órgãos públicos, imprensa e movimentos sociais.

A coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes, destacou que o ambiente rural brasileiro permanece distante de ser um espaço pacífico. Segundo ela, as comunidades precisam resistir constantemente para garantir a permanência em seus territórios.

Apesar da baixa nos homicídios, a instituição ressalta a persistência de massacres que envolvem múltiplos óbitos. O cenário é agravado pela ação de fundos de pensão e pelo interesse em terras raras localizadas em áreas tradicionais.

Conflitos por terra

A maioria das ocorrências envolve disputas diretas pela posse da terra, somando 711 casos. O panorama inclui ainda 100 ocorrências por água e 30 registros de trabalho escravo rural.

As formas de violência ligadas à terra saltaram de 584 para 663. A contaminação por agrotóxicos lidera as estatísticas, passando de 98 para 169 episódios no período.

Conflitos pela água e trabalho escravo

As disputas por recursos hídricos avançaram de 47 para 100 registros, atingindo 20 estados. O Pará lidera esse indicador, impulsionado pela resistência de povos tradicionais contra a privatização de rios e o garimpo.

Por outro lado, o trabalho escravo rural apresentou queda. Foram 30 registros no primeiro semestre de 2026, contra 101 no ano anterior, refletindo-se na redução de trabalhadores resgatados.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - repórter da Agência Brasil
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