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Quarta-feira, 10 de Junho 2026
Saúde

Sarampo: alerta de infectologista para vacinação de viajantes à Copa do Mundo 2026

Com Estados Unidos, México e Canadá registrando 70% dos casos nas Américas, a imunização é crucial para brasileiros.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Sarampo: alerta de infectologista para vacinação de viajantes à Copa do Mundo 2026
© Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
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A infectologista Natalie Del Vecchio emitiu um alerta crucial para os turistas brasileiros que planejam viajar aos Estados Unidos, México e Canadá, países-sede da Copa do Mundo 2026. Diante do preocupante aumento de casos de sarampo nessas nações, que juntos somam 70% das ocorrências nas Américas, a vacinação completa é fundamental para evitar a reintrodução do vírus no Brasil.

A Dra. Natalie Del Vecchio, especialista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), compartilhou essa análise com a Agência Brasil na última terça-feira (9).

"O sarampo é uma enfermidade de alta transmissibilidade", explicou a infectologista. Um indivíduo infectado possui a capacidade de disseminar o vírus para um grande número de pessoas. "Temos observado uma cobertura vacinal insuficiente tanto nessas nações quanto no próprio Brasil", pontuou Natalie Del Vecchio.

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A expansão do sarampo nas Américas

No ano anterior, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia manifestado preocupação com a crescente incidência da doença. O Canadá, por exemplo, registrou 5.062 casos, resultando na perda de seu status de nação livre de sarampo. Em 2026, o território canadense contabilizou 124 novas ocorrências.

O México, que havia notificado apenas sete casos em 2024, viu esse número saltar para 6.152 registros em 2025. Dados preliminares indicam que, somente em janeiro deste ano, 1.190 casos foram confirmados. Nos Estados Unidos, o cenário também é desafiador, com 2.144 casos em 2025 e 721 em janeiro de 2026.

A especialista do IFF/Fiocruz enfatiza que o risco é particularmente elevado para brasileiros que viajam a essas nações sem o esquema vacinal completo contra o sarampo. A imunização é a principal barreira para prevenir uma possível reintrodução do vírus no território nacional.

Natalie Del Vecchio recordou que, em novembro de 2024, o Brasil obteve da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a recertificação como país livre do sarampo. O reconhecimento foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à então ministra da Saúde, Nísia Trindade. Embora o Brasil já tivesse alcançado esse status em 2016, a baixa cobertura vacinal em 2018 facilitou a reintrodução do vírus no país.

O risco da baixa cobertura vacinal

"A cobertura vacinal inadequada representa um sério risco para a reintrodução do vírus no Brasil", alertou a infectologista. Em 2025, foram reportados 38 casos no país, todos com origem em nações fronteiriças. Já em janeiro de 2026, dois casos de sarampo foram confirmados: uma mulher de 22 anos no Rio de Janeiro e um bebê de 6 meses em São Paulo, ambos sem histórico de vacinação.

Natalie Del Vecchio aconselha que mesmo aqueles que não planejam viajar para os países anfitriões da Copa do Mundo devem verificar e completar seu calendário vacinal. Indivíduos entre 1 e 30 anos precisam de duas doses da vacina contra sarampo, enquanto pessoas de 30 a 60 anos necessitam de uma dose.

"Quem já possui o esquema de vacinação completo não precisa de doses adicionais", esclareceu a infectologista. "No entanto, se o calendário estiver incompleto, os viajantes com destino aos países-sede da Copa do Mundo devem regularizar sua imunização. Isso garante uma viagem segura, prevenindo a aquisição do vírus do sarampo no exterior e sua reintrodução no Brasil, evitando assim novos surtos e casos da doença", complementou.

Campanha de reforço do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde iniciou uma campanha nacional para orientar os brasileiros que viajarão aos Estados Unidos, México e Canadá para a Copa do Mundo sobre a importância de reforçar a vacinação contra o sarampo. Para crianças de 6 a 11 meses, a orientação é receber a dose zero com, no mínimo, 15 dias de antecedência da viagem. Para a faixa etária de 12 meses a 29 anos, são exigidas duas doses.

Adultos entre 30 e 59 anos devem ter tomado ao menos uma dose da vacina ao longo da vida. É fundamental que a aplicação da vacina Tríplice Viral, que oferece proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, seja realizada com pelo menos 15 dias de antecedência à data da viagem. Todas as doses estão acessíveis gratuitamente nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

A gravidade do sarampo e suas complicações

O sarampo é uma enfermidade séria, com potencial para deixar sequelas permanentes e, em casos extremos, levar a óbito. As complicações variam conforme a idade do paciente. Em crianças, pode desencadear pneumonia, otites, encefalite aguda (inflamação do encéfalo) e até a morte. Adultos podem desenvolver pneumonia, enquanto gestantes correm o risco de parto prematuro e bebês com baixo peso.

Sendo altamente contagiosa, a doença se propaga através da tosse, fala ou respiração. Um indivíduo infectado é capaz de transmitir o vírus a outros antes mesmo de manifestar os primeiros sintomas. Os sinais mais frequentes incluem febre elevada, tosse contínua, coriza, irritação ocular e erupções cutâneas avermelhadas que surgem inicialmente no rosto e se espalham pelo corpo. Geralmente, os sintomas aparecem de sete a 14 dias após a exposição ao vírus.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
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