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Terça-feira, 28 de Julho 2026
Saúde

Dor crônica pode estar por trás de falhas no tratamento da depressão

Pesquisa da Harvard Medical School indica que a ausência de medição do sofrimento físico compromete o diagnóstico de casos complexos da doença.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Dor crônica pode estar por trás de falhas no tratamento da depressão
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Um artigo publicado na revista Nature Mental Health nesta terça-feira (28) aponta que a dor crônica não diagnosticada pode fazer com que quadros depressivos sejam classificados incorretamente como depressão resistente ao tratamento, alterando a condução clínica dos pacientes.

Embora o desconforto físico seja comum em diagnósticos psiquiátricos e reduza a eficácia dos antidepressivos, ele não integra a definição formal da patologia refratária. Escalas tradicionais utilizadas na rotina médica, como o PHQ-9 e a escala de Hamilton, não avaliam a carga dolorosa do indivíduo.

Quando as medicações falham, os profissionais costumam questionar apenas a eficácia dos remédios, sem investigar se a dor foi mensurada. Os autores ressaltam, contudo, que os pacientes não devem alterar ou interromper suas prescrições sem orientação profissional.

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A importância da avaliação estruturada

Segundo Nilson Mendes Neto, médico e pesquisador da Harvard Medical School e um dos autores do trabalho, existe uma diferença crucial entre saber da existência da dor e incorporá-la de forma estruturada. "A presença, intensidade e impacto funcional da dor não fazem parte formal dessa definição", explica o especialista.

O pesquisador enfatiza que o objetivo do alerta não é acusar médicos de ignorarem os sintomas dos pacientes. A crítica central é voltada para a arquitetura do diagnóstico, que não exige a consideração sistemática do quadro doloroso para definir a resistência ao tratamento.

Para a equipe de cientistas, uma condição não mensurada pode alterar tanto a resposta farmacológica quanto a interpretação da persistência dos sintomas. No entanto, ainda não é possível determinar a proporção exata de afetados devido à falta de dados padronizados na rotina de atendimento.

Impactos e aplicação no SUS

No cenário brasileiro, o estudo traz implicações diretas para o Sistema Único de Saúde (SUS). A inclusão de um rastreio simples de dor em Unidades Básicas de Saúde e centros de Atenção Psicossocial (CAPS) não exige tecnologia de alto custo e pode otimizar os diagnósticos.

Integrar o cuidado da saúde mental ao tratamento de doenças como lombalgia, osteoartrite e fibromialgia evita a escalada precoce para terapias mais complexas e custosas. Para Mendes Neto, a medida garante maior precisão clínica e eficiência no uso de recursos públicos.

A publicação é assinada também por Brendon Stubbs, do King’s College London, e por Jessika Mendes, da instituição NeuroPsy.

FONTE/CRÉDITOS: Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
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