A polêmica envolvendo o atacante da seleção francesa Kylian Mbappé e a senadora paraguaia Celeste Amarilla continua. Na noite da última segunda-feira (6/7), a parlamentar divulgou uma carta aberta em seu perfil no Instagram na qual respondeu às críticas feitas pelo jogador de futebol, acusando-o de praticar violência de gênero e violência política contra uma mulher.
Na publicação, Amarilla exigiu que o jogador se retrate pelas declarações em que a chamou de “mulher desprezível” e “indigna do cargo” e afirmou que poderá recorrer à Justiça caso ele não peça desculpas. “Quem é você para me chamar de indigna ou desprezível se nem me conhece? Isso é violência de gênero pura e simples! Violência política contra uma mulher que chegou onde está com o voto popular de seu povo. Justamente vocês depreciam a mulher, justamente vocês ofendem a mulher, e eu não ataquei sua cor, suas preferências, nem ataquei minha condição de mulher e de política. Retrate-se comigo, faça jus à sua cidadania francesa e peça desculpas. Caso contrário, poderei iniciar ações judiciais por violência de gênero”, escreveu.
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Ao longo da carta, Celeste Amarilla afirmou que seu problema sempre foi exclusivamente com Mbappé, e não com a França. Ela destacou a relação que mantém com o país europeu, lembrando que estudou em uma escola francesa, fala o idioma e costuma viajar para a França.
A senadora também voltou a criticar o comportamento do atacante antes, durante e após a partida entre França e Paraguai pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Segundo ela, declarações do jogador antes do confronto, supostas provocações durante o jogo e a recusa em cumprimentar o goleiro paraguaio após o apito final teriam motivado sua indignação.
No texto, Amarilla reconheceu que as mensagens publicadas contra Mbappé foram escritas “no calor do momento” e afirmou ter apagado as postagens após perceber que havia reproduzido o mesmo tipo de insulto que diz condenar.
A manifestação ocorre depois de Mbappé responder publicamente aos ataques racistas feitos pela senadora nas redes sociais. O jogador afirmou que Celeste Amarilla é “desprezível” e “indigna de sua função”, além de dizer que ela não representa o povo paraguaio e que não permitirá que discursos de ódio e racismo sejam propagados.
A controvérsia também ganhou repercussão internacional. A Federação Francesa de Futebol apresentou denúncia às autoridades francesas, e a Procuradoria de Paris abriu uma investigação por suspeita de insulto público agravado e incitação ao ódio. Além disso, o governo do Paraguai repudiou oficialmente as declarações racistas da senadora, afirmando que elas não representam o país nem seu povo.




