Um cenário de tragédia se instalou na Zona da Mata de Minas Gerais devido às intensas chuvas que assolaram a região a partir da noite de segunda-feira (23). O balanço provisório aponta para 23 fatalidades e 47 pessoas ainda não localizadas. As cidades de Juiz de Fora e Ubá são as mais atingidas, apresentando extensos danos estruturais, com registros de deslizamentos de terra, inundações e colapso de edificações.
Em Juiz de Fora, o Corpo de Bombeiros confirmou 16 mortes e 43 desaparecimentos. Já em Ubá, a contagem oficial indica sete óbitos e quatro pessoas desaparecidas. Diante da severidade dos estragos, a prefeita Margarida Salomão declarou estado de calamidade pública na madrugada de terça-feira (24), medida que recebeu reconhecimento do governo federal.
Os efeitos devastadores se estendem por toda a área, com pelo menos 440 indivíduos desabrigados e acolhidos em abrigos temporários. Somente em Juiz de Fora, o temporal causou aproximadamente 20 soterramentos de residências, concentrados principalmente na zona sudeste. A Defesa Civil registrou 251 incidentes relacionados às precipitações.
Ubá, por sua vez, registrou um volume de chuva alarmante de cerca de 170 milímetros em um período de apenas três horas e meia. O prefeito José Damato Neto também decretou situação de calamidade. O rio Ubá transbordou, atingindo 7,82 metros e provocando alagamentos generalizados, além de severos danos à infraestrutura, incluindo a destruição completa de três pontes.
O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias, assegurando o empenho do estado em oferecer suporte. "Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento", declarou. O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, confirmou o envio de equipes da Defesa Civil Nacional para auxiliar as autoridades locais.
As ações de resgate continuam em ritmo acelerado. Um efetivo de 136 bombeiros está mobilizado nas áreas afetadas, com 108 em Juiz de Fora e 28 em Ubá. Integrantes da Defesa Civil e voluntários também auxiliam nas buscas. Em um dos pontos mais críticos, no bairro Parque Jardim Burnier, um deslizamento soterrou 12 moradias, resultando em pelo menos quatro mortos e 17 desaparecidos.
Além das perdas humanas, a infraestrutura urbana sofreu danos consideráveis. O transbordamento do rio Paraibuna forçou a interdição de vias importantes, como a ponte Vermelha e o túnel Mergulhão. Deslizamentos também comprometeram o tráfego na Serra dos Bandeirantes e na Garganta Dilermando, enquanto quedas de árvores impactaram o fluxo em diversas regiões.
A cidade registra o fevereiro mais chuvoso de sua história, com um acumulado de 589 mm, o dobro do esperado para o mês. "É uma situação extrema, que permite medidas extremas", pontuou a prefeita Margarida Salomão. As atividades escolares foram suspensas e os servidores municipais foram orientados a trabalhar remotamente.
A Defesa Civil estadual emitiu um alerta sobre a chegada de uma nova frente fria, que pode intensificar as chuvas já nesta quarta-feira (25), elevando o risco de novos deslizamentos e agravando o quadro de emergência. O decreto de calamidade pública tem validade de 180 dias e visa agilizar o repasse de verbas para a recuperação das localidades atingidas.