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Sexta-feira, 03 de Julho 2026
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Educação

UFRJ FM estreia oficialmente no Grande Rio, fortalecendo a comunicação pública

A emissora universitária, fruto de uma parceria com a EBC, oferece uma programação diversificada que inclui música independente, ciência e debates sobre o dial carioca.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
UFRJ FM estreia oficialmente no Grande Rio, fortalecendo a comunicação pública
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou oficialmente, nesta sexta-feira (3), a Rádio UFRJ FM na frequência 88,9 FM, marcando a concretização de um projeto de quase quatro décadas que visa fortalecer a comunicação pública em todo o Grande Rio. A nova emissora universitária, que agora alcança um vasto público, representa um marco significativo para a UFRJ FM.

Sua programação diversificada abrange desde música independente e conteúdos infantojuvenis até a divulgação científica, notícias e esportes. Além disso, a grade inclui blocos da Rádio MEC AM, sob a gestão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), reforçando o caráter colaborativo e educativo da iniciativa.

À frente da UFRJ FM está o professor Marcelo Kischinhevsky, da Escola de Comunicação. Ele foi um dos estudantes que, em junho de 1989, uniram esforços para colocar no ar a então Rádio Livre, que três anos mais tarde seria rebatizada como Rádio Interferência.

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Essa emissora livre operou por duas décadas até ser fechada pela polícia, sob a acusação de ser “pirata”, após conseguir um transmissor mais potente. Somente em 2014, com a mediação do Ministério Público Federal e uma reorganização do dial carioca, a UFRJ obteve um canal FM, em parceria estratégica com a EBC.

Marcelo Kischinhevsky recorda o início: “A gente tinha 20 anos quando o Leonardo Pinheiro, estudante de engenharia, arrumou o transmissor e começamos a montar a rádio, que transmitia do centro acadêmico, com programação gravada em fita cassete”.

Ele complementa a trajetória: “Depois, fruto do ativismo estudantil, a rádio ampliou a potência, foi criminalizada, acusada de interferir em aeroporto, mas isso abriu a discussão para que conseguíssemos um canal”.

Com a concessão do 88,9 FM, a universidade pôde estruturar a rádio, inclusive utilizando recursos de emendas parlamentares para a aquisição dos transmissores, uma estratégia crucial para contornar os cortes no orçamento da instituição.

Após a obtenção da licença para instalar os transmissores no Morro do Sumaré, no Parque Nacional da Tijuca, as transmissões experimentais para todo o Grande Rio tiveram início neste mês. A expectativa é que a rádio alcance uma audiência de 10 milhões de ouvintes. Desde 2019, a emissora operava apenas na internet e como laboratório de ensino.

Na quinta-feira (2), ao sintonizar a Rádio UFRJ no ar, por um radinho de pilha no Campus Praia Vermelha, o professor Marcelo Kischinhevsky confessou que “escorreu uma lágrima”, conforme compartilhado em uma newsletter à comunidade acadêmica e aos ouvintes.

“Mas, depois, veio uma onda de alegria”, disse. Ele descreveu um momento de celebração: “Um outro professor me viu com o radinho na mão e sacou. Foi até o carro dele, abriu a mala e despejou potência no som. Celebramos a vitória da radiodifusão pública, educativa e universitária”.

A relevância da pluralidade no dial carioca

Para a professora de Comunicação Suzy dos Santos, uma referência em políticas de comunicação, a Rádio UFRJ adiciona significativa pluralidade ao dial carioca.

“A radiodifusão comercial é concentrada, é manipulada pelo lucro e, muitas vezes, usada contra os interesses sociais”, analisou a especialista, criticando o modelo predominante.

Ela também teceu críticas ao uso de canais abertos de rádio e TV, os únicos gratuitos, para propósitos religiosos e eleitoreiros por parte de seus administradores.

“A Rádio da UFRJ, ao contrário, tem uma importância imensurável [nesse cenário], porque é feita para pensar uma sociedade democrática e plural”, completou Suzy dos Santos, ressaltando o papel fundamental da emissora.

Curadoria diferenciada e o papel da música independente

Quem sintonizar a UFRJ FM pode esperar um espaço de encontro para a música independente, conforme garantiu o estudante de jornalismo Davi Maia. Ele foi responsável pela seleção musical da inauguração e prometeu continuar contribuindo.

“Abrir a cabeça para o que está rolando na cena independente é muito difícil em uma rádio comercial”, avaliou Maia. “Você acaba tendo que prestar contas, fazer parcerias com gravadoras, mas em uma rádio pública, como a da UFRJ, oferecemos uma curadoria diferenciada”.

“A rádio está sempre no nosso coração, a gente nunca sai da Rádio”, prometeu Davi, destacando sua paixão. “Comecei a fazer jornalismo musical na rádio e este hoje é o meu interesse profissional”.

O papel da Rádio UFRJ na era da desinformação

A aposta em colaboradores jovens como Davi Maia tem uma razão clara: o público-alvo da emissora é o jovem e o adulto, informou o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.

“Nesse momento, de circulação de desinformação com grande agilidade, precisamos de um veículo que acompanhe a população, especialmente a juventude, para se conectar a ela”, afirmou Medronho, sublinhando a urgência do papel da rádio.

O reitor lembrou que a democracia não é um regime político garantido, mas sim sujeito a ameaças permanentes, como a desinformação. “A minha geração lutou pela democracia, agora, a juventude precisa estar alerta”, frisou.

Para a construção da grade de programação de 2027, a Rádio UFRJ lançou um edital para seleção de programas. A chamada pública aceita propostas tanto da comunidade acadêmica quanto de colaboradores externos, desde que alinhadas aos princípios da emissora. O documento está disponível no site e nas redes sociais da rádio.

“Queremos trazer a sociedade para dentro da universidade e, mais do que falar, ouvir”, acrescentou Marcelo Kischinhevsky. Segundo ele, a nova FM visa promover a divulgação científica, tecnológica e cultural, além de propor a construção de uma agenda pública de debates para o estado do Rio de Janeiro.

A Rádio UFRJ conta com um Conselho Curador composto por representantes de diversos setores da sociedade e integra a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), uma cadeia de emissoras públicas gerenciada pela EBC. A rede atualmente abrange 168 afiliadas de rádio e 165 TVs em todo o país.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
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