Um bilhete com ataques racistas levou o zelador angolano Almiro Martins, de 21 anos, a pedir demissão do colégio onde trabalhava havia poucos meses, em Anápolis (GO). A mensagem, deixada dentro do armário que ele utilizava, dizia: “Tenho nojo da sua raça. Preto brasileiro é diferente. Vai embora, africano de merda.”
O caso aconteceu na última terça-feira (25) e abalou profundamente o jovem, que havia sido promovido duas vezes em menos de cinco meses graças ao bom desempenho. A esposa dele, a professora Ruth Rocha, afirma que o bilhete atingiu diretamente a autoestima do marido.
“Ele me disse: ‘No meu país eu não precisava pensar na minha cor. Aqui, eu preciso’”, contou. Ruth relata que estava no colégio quando Almiro encontrou o bilhete e que ambos choraram ao ler as ofensas. Mesmo abalado, o jovem decidiu registrar um boletim de ocorrência.

Foto: Reprodução/Ruth Rocha.
Ambiente hostil e denúncias anteriores
Segundo Paulino Henjengo, irmão de Almiro, o zelador já comentava situações estranhas no ambiente de trabalho, como tentativas de associá-lo a furtos ou à acusação de ter colocado sabão na comida de alguém. A família acredita que o desconforto de alguns colegas surgiu após o jovem desenvolver boa relação com o proprietário da escola e receber aumentos salariais.
Diante do episódio explícito de racismo, Almiro pediu demissão na mesma hora. A família insistiu para que ele denunciasse o caso, para evitar que outros trabalhadores negros enfrentem agressões semelhantes. O boletim de ocorrência foi registrado no mesmo dia, e o casal pretende levar o caso à Delegacia Especializada em Crimes de Racismo, em Goiânia.
O que diz a escola
O sócio-proprietário do colégio, Ivan de Abreu Júnior, divulgou um vídeo chamando o caso de “covardia” e afirmou que o episódio ocorreu em um “ponto cego” do prédio. Ele disse ter relação de amizade com Almiro e garantiu que a escola está empenhada em identificar o responsável pelas ofensas.
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