Um relatório divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado nesta quarta-feira (29) indica que a intervenção estatal é um dos principais motores da violência armada nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém durante o primeiro semestre de 2026.
No período analisado em 57 municípios, os tiroteios com presença de forças de segurança bateram recorde e deixaram 901 pessoas baleadas. Em paralelo, o estudo comprova que as facções e milícias continuaram expandindo sua presença nos territórios mapeados.
Ao todo, a entidade contabilizou 2.511 confrontos armados, somando 2.403 vítimas atingidas, sendo 1.628 mortos e 775 feridos. As operações oficiais responderam por 39% desses episódios, resultando em 584 óbitos e 317 feridos em 989 ocorrências, um crescimento relativo em relação aos 33% registrados em 2025.
Segundo Terine Husek Coelho, gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, a persistência no atual modelo inviabiliza a segurança pública. Ela enfatiza que essa abordagem insistente expõe os moradores ao perigo diário, impacta escolas e serviços de saúde, sem desarticular o crime organizado.
Paralelamente, as disputas diretas entre facções rivais e milícias também registraram alta. O total de pessoas atingidas nesses conflitos subiu 12%, passando de 181 vítimas na primeira metade de 2025 para 203 no mesmo período de 2026.
Cenário por região metropolitana
Grande Rio
A região do Grande Rio contabilizou 976 tiroteios. Embora haja uma redução no total absoluto de disparos, a participação policial atingiu 47% das ocorrências, configurando a maior proporção para o primeiro semestre desde 2017.
Grande Recife
O Grande Recife registrou o menor volume total de confrontos desde 2019, com 645 casos. Contudo, as operações das forças de segurança atingiram a máxima histórica do levantamento, com 60 registros (9% do total).
Além disso, os crimes contra o patrimônio com uso de armas de fogo tiveram alta expressiva. Assaltos resultaram em 53 baleados no semestre, estabelecendo um novo recorde para os primeiros seis meses na região.
Salvador e região metropolitana
Na capital baiana e nos municípios vizinhos, o volume total de tiroteios caiu para 656 casos, a menor marca recente. Entretanto, das 637 vítimas de disparos na região, 53% foram atingidas em contextos de intervenção policial.
A escalada da violência também impactou as forças oficiais: 34 agentes de segurança foram baleados, sendo que 24 deles (71%) estavam em serviço no momento das ocorrências.
Belém
A Grande Belém teve 234 tiroteios no semestre, o que representa uma queda de 20% em comparação com os 293 episódios de 2025. Contudo, a presença policial continuou expressiva, participando de 45% dos casos registrados.