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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
Saúde

Adolescentes ainda enfrentam lacunas na proteção contra o HPV, aponta estudo

Pesquisa do IBGE revela que menos da metade dos jovens entre 13 e 17 anos tem certeza sobre a vacinação contra o papilomavírus humano

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Adolescentes ainda enfrentam lacunas na proteção contra o HPV, aponta estudo
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza um método eficaz para a prevenção de diversos tipos de câncer: a vacina contra o HPV. Contudo, para atingir sua máxima eficácia, essa imunização deve ocorrer no final da infância ou início da adolescência, o que não é a realidade para uma parcela significativa do público-alvo.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (25), indicou que apenas 54,9% dos estudantes com idades entre 13 e 17 anos relataram ter certeza de terem sido vacinados contra o HPV, sigla para papilomavírus humano.

Este vírus é o principal causador de 99% dos casos de câncer de colo de útero e está associado a uma parcela considerável de tumores na região anal, peniana, oral e da garganta.

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Proteção acessível

A vacina que confere proteção contra o HPV está disponível em todas as unidades de saúde do Brasil e é recomendada para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

Essa faixa etária foi estabelecida devido à principal via de transmissão do vírus ser a sexual, e a vacina apresentar maior efetividade quando administrada antes do início da atividade sexual.

Apesar disso, 10,4% dos estudantes entrevistados pelo IBGE ainda não haviam sido vacinados, e 34,6% não tinham certeza sobre o status de sua vacinação.

Isso se traduz em aproximadamente 1,3 milhão de adolescentes sem proteção adequada e outros 4,2 milhões potencialmente expostos à infecção.

A mesma pesquisa revelou que 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam iniciado a vida sexual, com a idade média de início sendo 13,3 anos para os rapazes e 14,3 anos para as moças.

Os dados, coletados pelo IBGE em 2024, também apontam uma redução de 8 pontos percentuais na cobertura vacinal em comparação com a edição anterior da pesquisa, realizada em 2019.

Embora uma proporção maior de meninas tenha sido vacinada — 59,5% contra 50,3% dos meninos —, a queda na cobertura vacinal entre elas foi mais acentuada, com 16,6 pontos percentuais a menos.

Desafios na informação

Entre os estudantes que não foram vacinados, metade declarou desconhecer a necessidade da vacina. Para Isabela Balallai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, essa constatação evidencia o impacto da desinformação.

"Todo mundo pensa que a hesitação vacinal se resume a fake news, mas não é só isso. A desinformação é apenas um dos fatores que levam à hesitação vacinal. Outros incluem a dificuldade de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação. E isso é um problema enorme no Brasil. Muitas pessoas não sabem quando devem se vacinar e quais vacinas estão disponíveis".

Outras razões foram mencionadas, porém com menor frequência:

  • 7,3% dos estudantes indicaram que seus responsáveis não autorizaram a vacinação;
  • 7,2% não se vacinaram por desconhecerem a finalidade da vacina;
  • 7% relataram dificuldades de locomoção para chegar aos postos de vacinação.

A pesquisa também identificou disparidades entre alunos da rede pública e privada. Entre os estudantes da rede pública, 11% não foram vacinados, em contraste com 6,9% no setor privado.

Por outro lado, a objeção dos pais à vacinação foi o motivo da hesitação para 15,8% dos alunos da rede privada, e apenas 6,3% dos da rede pública.

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, as escolas podem desempenhar um papel crucial:

"Quando analisamos os principais fatores de hesitação vacinal, a escola tem a capacidade de solucionar todos eles. Ela combate a desinformação, educando os adolescentes. Sanar a falta de informação, ao comunicar sobre as campanhas de vacinação. Melhora o acesso, pois, embora seja desafiador levar um adolescente a um posto de saúde, a vacinação escolar é mais simples. E também contribui para a conscientização dos pais".

Um bom exemplo familiar

Na residência da jornalista e escritora Joana Darc Souza, apenas a filha mais nova, de 6 anos, ainda não está imunizada. As outras duas, com 9 e 12 anos, já receberam a vacina.

"Eu nunca tive dúvidas sobre a eficácia e sempre defendi que vacina salva vidas. Isso é algo que aprendi em casa quando era criança e hoje repasso para minhas filhas", relata.

As três filhas de Joana frequentam escolas da rede municipal do Rio de Janeiro e, segundo ela, ocasionalmente os alunos são convidados para receber a vacinação.

"Elas acabam não participando, mas apenas porque aqui em casa sempre estamos atentos às vacinas".

No auxílio ao controle do calendário vacinal da família, contribui outra profissional fundamental para o sucesso das políticas de imunização: a pediatra. "Ela é muito atenta e sempre confere a caderneta das meninas", elogia a mãe.

Estratégias de atualização vacinal

Conforme o Ministério da Saúde, dados preliminares sobre as vacinas aplicadas em 2025 indicam uma cobertura vacinal superior à registrada na pesquisa, alcançando 86% entre meninas e 74,4% entre meninos. Desde 2024, a vacina contra o HPV é administrada em dose única.

No ano passado, o ministério também implementou uma estratégia de resgate vacinal com o objetivo de imunizar adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na idade recomendada.

Até o momento, 217 mil jovens foram vacinados, e a campanha, que se estende até junho de 2026, prevê ações de imunização nas escolas.

Adicionalmente, todas as unidades de saúde continuam a oferecer o imunizante para essa faixa etária. Indivíduos sem comprovante de vacinação podem verificar seu histórico de imunização no aplicativo Meu SUS Digital.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
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