A recente divulgação de que 66% das crianças brasileiras atingiram a alfabetização na idade adequada, no ano anterior, é vista como um avanço significativo por especialistas de organizações não-governamentais (ONGs) atuantes na área da educação. Contudo, para esses mesmos estudiosos, o patamar alcançado também impõe novos desafios.
Gabriel Correa, diretor de Políticas Públicas da ONG Todos Pela Educação, enfatiza que o fato de ter superado a meta de alfabetização estabelecida para 2025 merece celebração. Em sua análise, esse desempenho demonstra uma evolução contínua e sólida nos últimos três anos.
“Isso evidencia que a prioridade política dada ao tema e o reforço da colaboração entre os entes federativos — União, estados e municípios — por meio de uma atuação coordenada, têm gerado impactos tangíveis no aprendizado infantil”, declarou.
Felipe Proto, vice-presidente de educação da Fundação Lemann, considera que o êxito alcançado configura um marco para a nação, atribuindo-o a um esforço conjunto de cooperação entre a União, os estados e os municípios.
Proto avalia que o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada tem sido fundamental para concretizar resultados bastante promissores na educação do Brasil.
“Ações como o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização fortalecem essa tendência, ao mesmo tempo em que reconhecem e estimulam as redes de ensino que progridem com qualidade e equidade. A erradicação do analfabetismo no Brasil se aproxima de se tornar uma realidade cada vez mais palpável”, pondera.
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Persistência das desigualdades
Gabriel Correa, da Todos pela Educação, salienta que a alfabetização eficaz é o alicerce para uma trajetória educacional bem-sucedida, e que as políticas públicas na área devem assegurar que nenhuma criança seja esquecida.
“As crianças que, ao final do 2º ano do ensino fundamental, ainda não dominam a leitura e a escrita – um contingente que representa 34% no país – terão dificuldades em desenvolver os conhecimentos previstos para as etapas subsequentes. É inaceitável que elas sejam negligenciadas”, adverte.
O especialista argumenta que é imprescindível um empenho direcionado para alfabetizar essas crianças, mesmo que tardiamente. Embora reconheça a expressividade do percentual alcançado, Gabriel Correa pondera que o dado pode mascarar “disparidades significativas entre estados e municípios, as quais só serão totalmente elucidadas com a divulgação detalhada dos dados nos próximos dias”.
Ele esclarece que o ano de 2025 marcou a primeira vez em que o grupo de crianças avaliado frequentou a pré-escola durante o período pandêmico. “Esse elemento contribui para a compreensão de parte da melhoria observada, embora não diminua a importância das políticas públicas que têm impulsionado esse progresso”, comenta.
Felipe Proto, da Fundação Lemann, complementa que o País precisa manter a atenção e intensificar o ritmo. “O Brasil tem a capacidade de concretizar uma das mais profundas transformações de sua história: assegurar que todas as crianças dominem a leitura e a escrita até o término do 2º ano do Ensino Fundamental”.