O debate esquentou na bancada do “Jornal da Band” na última quinta-feira (12/3). O âncora Eduardo Oinegue não hesitou em manifestar sua indignação perante uma recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferindo um editorial contundente para expor sua perspectiva.
O jornalista classificou como “escandalosa” a determinação que autorizou uma operação da Polícia Federal na residência de um repórter. Este profissional havia divulgado uma matéria envolvendo familiares do também ministro da Corte, Flávio Dino, que supostamente teriam utilizado um carro oficial.
Em resposta à publicação, a Polícia Federal compareceu à casa do profissional, cumprindo um mandado de busca e apreensão assinado por Moraes, que resultou no confisco de celulares e notebooks. O detalhe que mais chocou Oinegue e a classe jornalística foi a tipificação do crime: perseguição. E a suposta “prova” do delito? As próprias reportagens publicadas.
Visivelmente indignado com o caso, Oinegue utilizou o espaço no telejornal para alertar sobre o grave precedente estabelecido contra a liberdade de imprensa. Segundo o âncora, a decisão cria uma regra perigosa onde apurar e publicar notícias pode ser interpretado como indício de prática criminosa pelo STF.
Ele fez questão de ressaltar que a Constituição Federal garante ao repórter o pleno direito de divulgar informações apuradas, independentemente de quem seja o alvo, e destacou que, até o momento, a notícia sobre os familiares de Dino sequer foi desmentida oficialmente.
Finalizando seu contundente desabafo, o apresentador repudiou o uso da máquina pública para retaliações. “A toga não proporciona poderes especiais, ou pelo menos não deveria. Dino pode contestar o conteúdo na Justiça usando o direito de resposta”, pontuou.
Oinegue encerrou a crítica com um alerta amargo sobre a censura e o uso da “mão pesada do Estado” em defesa de interesses pessoais, sentenciando: “Notícias sobre ministro do Supremo, se for a favor, ok. Se pisar no calo, vale uma porta arrombada”.