A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota pública, nesta quarta-feira (9), pedindo moderação às autoridades para deter o avanço da crise no STF. O posicionamento ocorre após o agravamento do embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, conflito institucional que atingiu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Polícia Federal.
No documento, a entidade que representa cerca de mil procuradores da República apelou ao bom senso dos agentes públicos. A associação enfatizou que as instituições brasileiras possuem mecanismos consolidados de autocorreção e capacidade de superar turbulências dentro das balizas do Estado Democrático de Direito.
Além da atuação corporativa, a ANPR possui papel de destaque no cenário institucional brasileiro, sendo historicamente responsável por confeccionar a lista tríplice enviada ao Poder Executivo como sugestão para a escolha do procurador-geral da República.
Origem da crise e desdobramentos
O desgaste se intensificou após o ministro André Mendonça tornar públicos relatórios da Operação Compliance Zero. As apurações miram fraudes bilionárias e crimes financeiros relacionados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Relatórios policiais recuperaram mensagens do telefone de Vorcaro que citariam diálogos direcionados a Alexandre de Moraes, com menções implícitas a pedidos de proteção que envolveriam Andrei Rodrigues, diretor da PF, e o PGR Paulo Gonet. Moraes nega veementemente qualquer contato com o investigado.
Em resposta, Paulo Gonet acionou o presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo o cancelamento e a anulação das provas divulgadas por Mendonça. O chefe do MPF alega que houve apuração irregular sem a necessária autorização do plenário da Corte.