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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
Direitos Humanos

Aumento de mortes de jovens pela polícia em São Paulo gera cobrança por medidas

Organizações protocolam ação judicial para exigir maior proteção, enquanto dados revelam 2017 como o ano mais letal, com 942 casos. Jovens negros são desproporcionalmente afetados.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Aumento de mortes de jovens pela polícia em São Paulo gera cobrança por medidas
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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A elevação de 11% na letalidade policial contra crianças e adolescentes no estado de São Paulo, registrada entre 2023 e 2024, motivou o Instituto de Referência Negra Peregum, em conjunto com a Uneafro Brasil e a Rede Liberdade, a buscar a implementação de providências imediatas para salvaguardar a infância e a juventude da violência estatal.

Uma Ação Civil Pública (ACP), impetrada em dezembro de 2025 e ainda em tramitação, figura entre as iniciativas adotadas. Contudo, até o momento, o Poder Judiciário não se pronunciou sobre o mérito da ação, e apenas o Ministério Público manifestou-se parcialmente a favor dos pleitos apresentados pelas entidades.

Conforme esclareceu Izabella Gomes, consultora jurídica do Instituto de Referência Negra Peregum, o pedido de tutela de urgência foi indeferido em dezembro e, novamente, em março, após a interposição de recurso. A ação, inicialmente protocolada na Fazenda Pública, foi redirecionada para a Vara da Infância e Juventude, que também se declarou incompetente, remetendo a questão da competência para a segunda instância.

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Ação

Fundamentada em um estudo que analisou dados públicos do estado de São Paulo, a ação visa assegurar os direitos de crianças e adolescentes, com especial atenção a meninos e meninas negros, que representam as principais vítimas de intervenções policiais. A análise de dados de 2013 a 2025 apontou 2017 como o período mais crítico, com 942 ocorrências.

A advogada Rebeca Costa, da Rede Liberdade, detalhou que “os números permaneceram entre 800 e 900 casos durante as gestões de Geraldo Alckmin e o início de João Dória, começando a diminuir de forma consistente em 2021, após a implementação das câmeras corporais. Em 2023, o registro foi o mais baixo, com 510 casos. No recorte temporal de 2013 a 2025, 11,26% dos óbitos foram de crianças e adolescentes, totalizando 1.010 mortes de menores de idade (entre 10 e 17 anos) por ações policiais”.

Segundo Rebeca, na atual administração de Tarcísio de Freitas, a faixa etária predominante nas ocorrências é de 18 a 25 anos. No entanto, 91 crianças e adolescentes (com idades entre 10 e 18 anos) foram mortos pela polícia. Adicionalmente, em 256 dos óbitos registrados em operações policiais, a idade da vítima não foi informada.

O estudo também evidenciou a carência e a incompletude de dados entre 2013 e 2025, com 1.946 ocorrências sem a informação da idade da pessoa e 150 sem registro de raça ou cor. “Pelo menos 21,6% dos dados estão incompletos, o que dificulta a fiscalização”, enfatizou.

Entre as providências solicitadas pelas organizações, destacam-se a obrigatoriedade da implementação de câmeras corporais com gravação contínua durante as operações policiais, a proibição do uso de tecnologias de reconhecimento facial nesses equipamentos e a adoção de protocolos de formação e treinamento focados na proteção integral de crianças e adolescentes.

Izabella afirmou que “o objetivo da ação é o reconhecimento, por parte do estado de São Paulo, da violação sistêmica do princípio da proteção integral de crianças e adolescentes”.

Ela complementou que “a iniciativa visa assegurar os direitos desses jovens, com foco primordial na vida, mas também abrangendo aspectos como lazer e educação. A ACP apresenta pedidos específicos para garantir os direitos da criança e do adolescente”.

Fundo de tutela

As entidades pleiteiam, adicionalmente, a criação de um fundo de tutela para crianças e adolescentes, com a participação setorial do Poder Executivo, universidades, movimentos sociais e do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca). Este fundo teria como finalidade debater políticas públicas e a proteção integral, além de gerar indenizações por danos morais coletivos.

Além disso, consideram essencial a aplicação de medidas para evitar a reincidência dessas situações, como a disponibilização transparente de dados públicos, o fortalecimento das ações da corregedoria e a publicação de relatórios periódicos sobre o impacto das operações e intervenções policiais.

De acordo com Amarilis Costa, diretora executiva da Rede Liberdade, a ACP proposta “coloca em debate público a política de segurança pública do estado de São Paulo, que não oferece segurança a todos os indivíduos e reproduz práticas racistas”.

O estudo da entidade revela que as vítimas da letalidade são predominantemente meninos negros, com menos de 18 anos, que não frequentam a escola e, frequentemente, residem em localidades com infraestrutura de saúde precária e acesso restrito à internet.

Amarilis ressaltou que “o objetivo é garantir o debate qualificado e o aprimoramento da tutela de crianças e adolescentes, com a participação da sociedade civil nos mecanismos de controle da atuação policial e o reconhecimento da violação do projeto de vida das crianças e adolescentes e das famílias de vítimas do estado, que são cotidianamente criminalizadas e não alcançam o acesso à justiça”.

FONTE/CRÉDITOS: Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil
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