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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
Educação

Bienal nas Escolas adota clima de Copa para impulsionar a leitura no Rio de Janeiro

Edição especial da iniciativa, que teve início em abril, visa fomentar o senso crítico e o prazer literário entre estudantes fluminenses.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Bienal nas Escolas adota clima de Copa para impulsionar a leitura no Rio de Janeiro
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Em uma iniciativa inédita fora do ciclo bienal tradicional, os organizadores da Bienal do Livro do Rio de Janeiro lançaram a edição de 2024 da Bienal nas Escolas com um tema inspirado na Copa do Mundo. O projeto, que visa estimular a leitura e o senso crítico entre jovens estudantes, teve seu pontapé inicial em abril na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Oswaldo Cruz, zona norte do Rio de Janeiro, com a proposta de alcançar ao menos seis instituições de ensino ao longo do ano.

A jornada da Bienal nas Escolas teve início em abril, engajando os alunos da Escola Municipal Maria das Dores Negrão, localizada em Oswaldo Cruz, na zona norte carioca. A próxima parada está agendada para 11 de junho, quando a Escola Municipal Sarmiento, no Engenho Novo, também na zona norte, receberá a iniciativa. A meta é visitar um mínimo de seis escolas até o final do ano.

O projeto Bienal nas Escolas é uma parceria entre a GL Events Exhibitions, responsável pela organização do renomado evento literário, e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Em declaração à Agência Brasil, Bruno Henrique, Diretor de Marketing e Conteúdo da GL, enfatizou a importância de levar a cultura literária diretamente aos estudantes.

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"É no ambiente escolar que o senso crítico é moldado e onde, assim como no lar, os valores fundamentais de educação e aculturamento são estabelecidos", pontuou Henrique. Ele ainda completou: "Este é um projeto que nos é muito caro. A Bienal nas Escolas nasceu da compreensão profunda do propósito e da força inerente à Bienal do Livro do Rio."

A literatura em formato de álbum da Copa

Para estabelecer um diálogo criativo com o universo da FIFA, a Bienal introduz nas escolas um "álbum de figurinhas" especial, contendo uma seleção literária diversificada. Este álbum apresenta personagens icônicos da literatura clássica mundial, como Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan.

"É impossível ignorar o tema da Copa do Mundo, que mobiliza nações inteiras, e o Brasil, inegavelmente, é uma delas", explicou o diretor. "Para as crianças, a diversão do álbum de figurinhas é um elemento sempre presente e associado ao evento, mesmo para aqueles que não são entusiastas do futebol."

Através da troca de figurinhas e da busca por completar o álbum, os pequenos leitores estabelecem uma conexão lúdica com as narrativas. Essa interação visa ampliar seu contato com um vasto repertório de referências literárias.

Bruno Henrique expressa a convicção de que a Bienal tem como missão posicionar o livro em um espaço de ludicidade, entretenimento e prazer, reconhecendo-o também como um pilar fundamental da educação e da cultura. O lema escolhido para esta edição do projeto é Livros Mudam o Jogo.

Com o patrocínio da OLX e da Accenture, a iniciativa prevê a distribuição de 100 livros para cada escola participante. O objetivo é fortalecer os acervos das bibliotecas e das salas de leitura dessas instituições.

Encontros inspiradores com escritoras

Na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, o primeiro encontro contou com a presença da renomada escritora Kiusam de Oliveira, uma autoridade em literatura afrodidática. Kiusam destacou a relevância da representatividade, da educação e do estímulo ao imaginário infantil desde cedo.

A escritora descreveu o encontro com os estudantes como "potente", afirmando: "Especialmente porque reconheço as histórias e as vivências desses alunos. Sou uma mulher preta, professora há mais de 40 anos, e incorporo essa trajetória na minha escrita."

Kiusam de Oliveira defende que o processo de aprendizado se inicia com a "leitura do mundo", antecedendo até mesmo a decodificação das palavras escritas.

"Isso é o que me impulsiona como educadora e escritora", revelou. "Quando a criança se enxerga, quando se reconhece, ela compreende que pode sonhar, que tem o poder de transformar a própria realidade. Meu compromisso é justamente esse: escrever para que essas crianças aprendam a sonhar e se percebam como seres potentes."

Lara Braga, uma estudante de 10 anos, expressou sua admiração por dois títulos de Kiusam: Com qual penteado eu vou e Tayó em quadrinhos.

"Gosto deles porque abordam temas importantes, como o respeito ao cabelo e à cor da pele", explicou a jovem. "A leitura nos permite desviar um pouco das telas e explorar novos mundos. Acredito que ela estimula a imaginação e nos prepara melhor para o futuro."

O próximo encontro literário terá a participação da escritora Andrea Taubman, que conversará com os alunos sobre seu livro Não me toca, seu boboca!, obra que tem conquistado grande sucesso entre o público infantil. A seleção dos autores convidados é realizada em colaboração com as secretarias municipais e estaduais de Educação.

Bruno Henrique detalhou que, inicialmente, o projeto tem cinco escolas programadas para visitas neste ano, com a expectativa de beneficiar pelo menos 1 mil alunos na faixa etária de 6 a 10 anos.

"No entanto, esse número pode ser ampliado significativamente, caso seja assegurado um maior apoio da iniciativa privada", acrescentou.

Resultados e o futuro do incentivo à leitura

Desde sua concepção em 2019, o projeto já alcançou 25 escolas, com uma média de 170 alunos beneficiados por visita. Apenas no ano passado, 11 instituições de ensino foram integradas à iniciativa, totalizando 2,2 mil estudantes atendidos.

Renomados escritores como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França participaram dos encontros em escolas da capital e da Baixada Fluminense durante o ano anterior.

Um levantamento feito com as escolas participantes em 2023 revelou um aumento notável de 25% na busca por livros nas bibliotecas municipais e estaduais.

"Observamos que, em todas as localidades por onde o projeto passou, houve uma transformação no comportamento, na cultura e na procura por livros", analisou Bruno Henrique. "Esse reforço do impacto positivo no ambiente escolar e o aumento na busca por obras literárias nas escolas no ano passado foram cruciais para confirmar que estamos no rumo certo com a iniciativa."

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - repórter da Agência Brasil
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