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Direitos Humanos

Brasil sofre ataques externos motivados por terras raras, alerta sociólogo

Durante evento na UnB, Miguel de Barros denunciou que grandes potências tentam monopolizar recursos naturais e avanços tecnológicos das nações do Sul.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Brasil sofre ataques externos motivados por terras raras, alerta sociólogo
© Foto: Luiz Cláudio/ Agência Brasil
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O sociólogo e ambientalista Miguel de Barros, da Guiné-Bissau, afirmou que comunidades tradicionais no Brasil e na África sofrem com ameaças de multinacionais interessadas na exploração de terras raras. A declaração ocorreu na noite de quinta-feira (30), durante o 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as), realizado na Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com o especialista, o avanço do Norte Global sobre o patrimônio natural das nações em desenvolvimento caracteriza um novo projeto colonial. Essa estratégia busca assegurar o monopólio de insumos estratégicos e o controle de patentes globais.

Ao abordar a exploração desses recursos, o cientista social ressaltou que a disputa por elementos minerais afeta diretamente a soberania militar e econômica. Segundo Barros, o domínio sobre a Amazônia representa o controle da capacidade energética, hídrica e da produção alimentar de uma nação.

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Tais componentes são indispensáveis na fabricação de smartphones, veículos elétricos e armamentos nucleares. O pesquisador destacou que as corporações por trás desse movimento perpetuam estruturas de poder consolidadas desde o período da colonização.

Avanço tecnológico e inteligência artificial

Além da busca por recursos naturais, o sociólogo apontou que a nova ofensiva colonial se apoia no domínio de tecnologias emergentes, especialmente a inteligência artificial. Essa dinâmica promove a substituição do trabalho humano por máquinas e afeta diretamente a biomedicina.

Segundo o conferencista, o modelo financeiro que impulsiona a tecnologia atua como um mecanismo de apropriação do conhecimento e patrimônio do povo negro. Como resposta, Barros defendeu a criação de uma contracorrente que garanta suporte tecnológico às populações vulneráveis.

Vulnerabilidade e cooperação internacional

Durante o encontro na UnB, a gestão de saúde pública no Brasil durante a pandemia de Covid-19 também foi criticada pela ausência de cooperação com os países africanos. O sociólogo enfatizou que o poder econômico impediu a transferência de medicamentos e tecnologias básicas.

Como reflexo dessa seletividade, Barros lembrou que o continente africano conseguiu vacinar apenas um quarto de sua população com duas doses. Para ele, o resgate dos saberes tradicionais e a autonomia política são elementos decisivos para garantir o direito à vida.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil
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