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Quinta-feira, 02 de Julho 2026
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Política

Câmara aprova PEC que estabelece fundos constitucionais para Sul e Sudeste

A medida, que também eleva repasses ao FPM, é projetada para injetar R$ 49,67 bilhões nas regiões em dois anos, começando em 2027, conforme estimativa do relator Arnaldo Jardim.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Câmara aprova PEC que estabelece fundos constitucionais para Sul e Sudeste
© Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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Nesta quinta-feira (2), a Comissão Especial da Câmara dos Deputados deu um passo significativo ao aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece novos Fundos Constitucionais de financiamento para as regiões Sul e Sudeste. A iniciativa visa impulsionar o desenvolvimento regional e, simultaneamente, ampliar em um ponto percentual os recursos destinados ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), prometendo um impacto financeiro substancial nas localidades beneficiadas.

A PEC 231 de 2019, relatada pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ainda necessita de aprovação no plenário da Câmara e, posteriormente, será submetida à análise do Senado Federal. Seu objetivo primordial é permitir que produtores rurais e municípios das regiões Sul e Sudeste acessem linhas de crédito com taxas de juros mais vantajosas para viabilizar projetos de infraestrutura e produtivos.

Conforme o relator Arnaldo Jardim, a criação desses Fundos Constitucionais representa um avanço crucial na busca por uma política de desenvolvimento regional verdadeiramente equitativa. Ele enfatiza que a medida está alinhada ao princípio constitucional de redução das desigualdades.

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A estimativa de Arnaldo Jardim aponta para um impacto financeiro robusto: a soma dos novos fundos e do incremento do FPM totalizará R$ 49,67 bilhões em dois anos. Desse montante, R$ 16,0 bilhões seriam aplicados em 2027 e R$ 33,6 bilhões em 2028. Até o momento, o Ministério da Fazenda não se pronunciou publicamente sobre a PEC.

Fundos Constitucionais

Atualmente, o Artigo 159 da Constituição Federal já prevê a existência de fundos regionais destinados às regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Esses mecanismos foram estabelecidos com a finalidade de mitigar as disparidades regionais existentes no Brasil, promovendo o desenvolvimento equilibrado.

A PEC aprovada na Comissão da Câmara propõe a inclusão de 1% das receitas da União, provenientes do Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto Seletivo (IS), para compor o Fundo da região Sul. Um percentual idêntico, de 1% da arrecadação desses tributos, será destinado ao Fundo da região Sudeste.

Para o Sudeste, a aplicação ocorrerá de forma escalonada: 0,5% a partir de janeiro de 2027 e os 0,5% restantes a partir de janeiro de 2028, garantindo uma implementação progressiva dos recursos.

O relator Jardim justificou a criação dos fundos argumentando que, embora as regiões Sul e Sudeste apresentem indicadores econômicos superiores, elas também englobam municípios com níveis de criticidade social e econômica comparáveis aos de outras partes do país.

Ele ressaltou que a instituição desses novos fundos não implicará em desvio de verbas de outras regiões. Os recursos adicionais serão alocados exclusivamente para o Sul e Sudeste, sem impactar negativamente as transferências já existentes para as demais localidades.

O deputado federal paulista enfatizou que as desigualdades no Brasil não se limitam apenas às fronteiras macrorregionais. Ele citou o exemplo do Sudeste, que, apesar de concentrar a maior parte do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, ainda possui áreas com altos índices de pobreza.

Exemplos incluem os vales do Jequitinhonha, Mucuri e Ribeira, periferias metropolitanas e áreas rurais de estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Nessas localidades, o acesso a crédito produtivo é restrito e a infraestrutura social e econômica permanece precária, evidenciando a necessidade de intervenções focadas.

Municípios

Além da criação dos fundos, a proposta aprovada pela Comissão Especial visa fortalecer o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Ela prevê a ampliação dos repasses em 1 p.p. da arrecadação total de Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto Seletivo (IS), com o adicional sendo efetuado anualmente no mês de março.

No relatório, Arnaldo Jardim sublinha que a proposta reconhece o papel fundamental dos municípios, especialmente os de pequeno porte, que dependem fortemente desses repasses. Eles são a esfera federativa que mais diretamente lida com as carências em infraestrutura, saúde, educação e assistência social.

O deputado federal concluiu que o reforço no FPM beneficiará as cidades com menor capacidade de arrecadação própria, independentemente de sua localização em qualquer unidade da federação, promovendo um equilíbrio mais justo na distribuição de recursos.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
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