Neste domingo (2), pacientes, familiares e profissionais da saúde realizam mobilizações em 26 municípios brasileiros e no exterior para promover a conscientização sobre lipedema. A iniciativa busca alertar a sociedade sobre uma condição vascular crônica que atinge cerca de 10% das mulheres no Brasil, promovendo a identificação precoce e o acesso ao tratamento adequado.
O problema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, ocasionalmente, nos braços. Além do impacto estético, a patologia provoca quadros frequentes de dor, inchaço, sensibilidade ao toque e limitações físicas na rotina das pacientes.
Diferenças cruciais entre lipedema e celulite
A cirurgiã vascular e angiologista Tatiana Losada, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), explica que o distúrbio é frequentemente confundido com celulite. No entanto, enquanto a celulite é apenas uma alteração estética da superfície cutânea, a doença adiposa causa um incômodo físico real.
“O quadro provoca dor, sensibilidade, sensação de peso e facilidade para o surgimento de hematomas”, afirma a médica. Ela ressalta que outra característica marcante é a preservação dos pés e das mãos, criando uma espécie de garrote na região dos tornozelos e punhos.
Diagnóstico clínico e métodos de tratamento
A avaliação médica é indispensável para confirmar o diagnóstico. Conforme aponta a especialista, a identificação é predominantemente clínica, feita por meio do histórico da paciente e exame físico, pois não existem exames de imagem ou laboratoriais específicos que confirmem a doença isoladamente.
Apesar de ser uma patologia crônica sem cura definitiva, existem tratamentos eficazes para o controle dos sintomas. O protocolo pode incluir reeducação alimentar, exercícios físicos com foco no fortalecimento muscular, fisioterapia, terapias de compressão e, em cenários específicos, intervenção cirúrgica.
Fatores de risco e impacto emocional
As causas exatas ainda não foram totalmente elucidadas, mas apresentam forte ligação genética e hormonal. É comum notar a presença da condição em várias mulheres da mesma família, com sintomas que tendem a se intensificar em fases como puberdade, gravidez e menopausa.
A médica alerta que o ganho de peso e o sedentarismo não causam a doença, mas agravam o quadro. A identificação correta evita tratamentos desnecessários e reduz o sentimento de culpa de pacientes que atribuem o problema apenas à alimentação ou falta de esforço para emagrecer.