As mulheres negras enfrentam uma taxa de mortalidade por câncer de mama que é 3,8 vezes maior do que a registrada entre mulheres brancas no Brasil, conforme aponta um levantamento divulgado nesta terça-feira.
O dado integra a publicação inédita Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama, lançada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) no âmbito das ações do Outubro Rosa.
Renata Maciel, coordenadora de detecção precoce do Inca, aponta que, embora as brancas tenham maior incidência da doença, as negras morrem mais devido a barreiras no diagnóstico precoce e tratamentos.
Além disso, especialistas destacam que o subtipo triplo negativo, considerado mais agressivo, é mais frequente nessa população, somando-se à menor realização de exames preventivos.
Desafios estruturais e biológicos
O diretor-geral da instituição, Roberto Gil, reforça que a população negra pode enfrentar uma forma biologicamente mais severa da patologia, aliada à dificuldade crônica de acesso à rede pública de saúde.
O relatório recomenda a formulação de políticas públicas voltadas para a equidade, combatendo fatores de risco como o consumo de álcool e a obesidade, além de incentivar o aleitamento materno.
Histórias reais e prevenção
A artesã Solange Barbosa de Freitas, de 57 anos, ilustra a importância da detecção precoce ao descobrir o tumor sem apresentar sintomas, durante uma campanha de rotina realizada em 2019.
O câncer de mama permanece como o mais incidente na população feminina nacional, sendo que cerca de 80% dos diagnósticos acontecem em pacientes com 50 anos ou mais.