Um evento no domingo (1º) em memória de Tainara Souza Santos, 31 anos, que faleceu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro em São Paulo, inaugurará as mobilizações em celebração ao Dia Internacional das Mulheres. A iniciativa, promovida pelo Ministério das Mulheres, ocorrerá na Marginal Tietê, Zona Norte paulistana, local onde Tainara foi vítima de agressão e atropelamento pelo ex-companheiro Douglas Alves da Silva. Ela foi arrastada por mais de 1 quilômetro presa ao veículo em 29 de novembro do ano passado.
O crime chocante, ocorrido em 29 de novembro do ano passado, resultou na mutilação das pernas da jovem, que não resistiu e faleceu na véspera do Natal. O autor do feminicídio está detido e aguarda julgamento. O anúncio do ato foi feito pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
“Este ato é, antes de tudo, uma homenagem à memória de Tainara, brutalmente assassinada em um ato de feminicídio, mas também estende essa homenagem a todas as mulheres brasileiras. Iniciaremos março com um forte sentimento de solidariedade e conscientização, esperando que parlamentares, prefeitos, governadores, o sistema de justiça, a sociedade civil e a mídia se unam a nós para enfrentar um desafio que ainda é imenso para o Brasil e para o mundo”, declarou a ministra.
A ministra adiantou que grafiteiras deixarão sua arte em muros de prédios públicos (Correios e prefeitura) na região, em tributo a Tainara. Adicionalmente, um mastro com mensagens de combate ao feminicídio será erguido, e um trio elétrico acompanhará o percurso, com a presença da família da vítima e de movimentos sociais.
Pacto contra o feminicídio
A ministra das Mulheres informou que 19 estados já aderiram ao Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio. Em março, ela visitará as unidades federativas que ainda não se comprometeram com a iniciativa federal. Márcia Lopes ressalta a importância da colaboração e da padronização das políticas entre a União, os estados e os municípios para a prevenção do feminicídio, definido como o assassinato de mulheres, meninas ou jovens motivado por discriminação ou menosprezo à condição feminina.
“Precisamos de integração e seriedade para implementar no Brasil um Sistema Nacional de Política para as Mulheres. É fundamental que os órgãos gestores e conselhos funcionem, e que a rede de serviços seja amplamente divulgada à população. Frequentemente, mulheres deixam de denunciar por descrença, falta de confiança ou receio quanto ao sigilo, temendo represálias. Portanto, é essencial investir em formação, engajamento, conscientização e profissionalismo de nossas polícias e de todos os envolvidos”, enfatizou.
Em 2025, o Brasil registrou um número alarmante de 1.518 vítimas de feminicídio, o que representa uma média de 4 mortes diárias.
Educação preventiva
A ministra também anunciou que o projeto Maria da Penha na Escola será regulamentado em março pelo Ministério da Educação (MEC). O objetivo é educar estudantes e profissionais sobre a prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. “Meninas e meninos precisam aprender sobre igualdade de gênero para que possamos construir uma sociedade verdadeiramente igualitária, onde não se permita a banalização, a naturalização ou a aceitação de discursos que inferiorizam e desvalorizam as mulheres.”
Futebol contra a violência de gênero
Durante a entrevista, a ministra também expressou repúdio às declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, dirigidas à árbitra Daiane Muniz, que apitou o jogo do último sábado (21) entre sua equipe e o São Paulo, pelas quartas de final do Campeonato Paulista.
“Este é mais um lamentável episódio de violência de gênero, de absoluto desprezo e machismo. É inaceitável. As mulheres já provaram sua capacidade em todas as esferas, seja no setor público ou privado, e não precisam mais demonstrar isso”, afirmou.
Em relação à realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil em 2027, Márcia Lopes destacou que o ministério intensifica a parceria com a CBF, atletas e entidades organizadoras para assegurar que o evento se torne um marco de mobilização e respeito às mulheres no esporte. “O esporte deve promover uma vida saudável, e não ser associado a crimes.”