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Segunda-feira, 02 de Fevereiro 2026

Saúde

Casos de câncer de pele aumentam drasticamente em uma década

Regiões Sul e Sudeste apresentam as maiores incidências da doença no país

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Casos de câncer de pele aumentam drasticamente em uma década
© Agência Brasil/Fernando Frazão
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Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revelam um crescimento alarmante nos diagnósticos de câncer de pele no Brasil. O número de casos saltou de 4.237 em 2014 para mais de 72.700 em 2024. A incidência da enfermidade exibe um padrão geográfico distinto, com as regiões Sul e Sudeste concentrando os índices mais elevados.

A estimativa nacional para 2024 aponta para 34,27 casos a cada 100 mil habitantes, um número ligeiramente inferior ao pico de 2023 (36,28). Em 2024, Espírito Santo e Santa Catarina lideraram as estatísticas, com 139,37 e 95,65 casos por 100 mil habitantes, respectivamente. Rondônia também se destacou, apresentando 85,11 casos, fora do eixo regional tradicional.

De acordo com a SBD, esses números são resultado da combinação de diversos fatores, incluindo maior exposição aos raios solares, a prevalência de indivíduos com pele clara e o envelhecimento da população brasileira.

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As regiões Norte e Nordeste registram taxas mais baixas de incidência, contudo, estados como Rondônia (85,11) e Ceará (68,64) observaram um aumento em 2024.

A entidade comentou que o crescimento em unidades com histórico de baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, pode sinalizar uma melhoria na vigilância epidemiológica, apesar de a subnotificação ainda ser uma realidade, especialmente em áreas remotas ou de difícil acesso.

Diagnóstico precoce é crucial

A SBD aponta que o expressivo aumento nos diagnósticos de câncer de pele no país se intensificou a partir de 2018. Isso ocorreu quando se tornou obrigatório o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) em exames laboratoriais de biópsia.

As informações da SBD indicam que pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam uma dificuldade 2,6 vezes maior para conseguir agendar consultas com dermatologistas em comparação com aqueles que utilizam o sistema de saúde privado.

Para a SBD, a ampliação do diagnóstico precoce do câncer de pele está diretamente ligada ao aumento da oferta de consultas na rede pública. Identificar a doença em seus estágios iniciais eleva significativamente as chances de cura e diminui a necessidade de tratamentos mais complexos e invasivos.

Acesso a consultas

Os dados revelam que, no SUS, o número de consultas dermatológicas retornou aos patamares anteriores à pandemia, após uma queda acentuada em 2020. O volume passou de 4,04 milhões para 2,36 milhões, com uma recuperação gradual nos anos seguintes, atingindo 3,97 milhões em 2024, próximo aos níveis de 2019.

No setor de saúde suplementar, o número de consultas dermatológicas permaneceu entre duas e três vezes superior ao do SUS, ultrapassando a marca de 10 milhões tanto em 2019 quanto em 2024.

A SBD também informa que, entre 2019 e 2024, a quantidade de consultas com especialistas por mil beneficiários variou de 37,96 (2020) a 51,01 (2019). Isso confirma uma maior disponibilidade de profissionais no setor privado, onde os usuários tiveram acesso a dermatologistas de duas a quase cinco vezes mais frequentemente.

A entidade destacou que, embora nem todas as consultas visem o rastreamento de câncer de pele, um maior volume de atendimentos aumenta a probabilidade de detecção precoce de lesões suspeitas. Em 2020, essa diferença de acesso chegou a 3,4 vezes, e em 2024, ainda foi 2,6 vezes maior.

A SBD concluiu que, como o exame clínico visual é a principal via para o diagnóstico, essa disparidade no acesso pode impactar diretamente a progressão da doença, especialmente em casos de melanoma.

Tratamentos de alta complexidade

Segundo a SBD, a desigualdade no acesso ao diagnóstico se reflete diretamente na complexidade dos tratamentos. Quando o câncer de pele não é diagnosticado precocemente, os pacientes frequentemente necessitam de procedimentos mais invasivos e de maior duração.

O levantamento aponta que municípios do interior do Brasil enfrentam lacunas assistenciais e longos deslocamentos para ter acesso aos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e às Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon).

Estados como São Paulo (com 57 unidades, incluindo 15 Cacons e 42 Unacons), Minas Gerais (31 unidades, sendo 3 Cacons e 28 Unacons) e Rio Grande do Sul (28 unidades, com 9 Cacons e 19 Unacons) concentram a maior parte dos ambulatórios especializados, centros de diagnóstico e hospitais habilitados em oncologia dermatológica.

Em contrapartida, unidades federativas como Acre, Amazonas e Amapá possuem apenas uma Unacon cada, sem a presença de Cacons. A SBD lamenta que essa desigualdade contribua para que pacientes nessas regiões recebam o diagnóstico em estágios mais avançados da doença.

Tempo entre diagnóstico e tratamento

Os dados também indicam que, entre 2014 e 2025, houve um crescimento no total de casos de câncer de pele tratados no Brasil. Enquanto as regiões Sul e Sudeste conseguem iniciar a terapêutica em até 30 dias na maioria das situações, no Norte e Nordeste a espera frequentemente excede 60 dias, aumentando o risco de agravamento do quadro clínico.

A SBD ressaltou que, em locais com maior densidade de rede de saúde, como o Sudeste, os fluxos de atendimento são mais eficientes e os registros mais completos. Diante desses números, a entidade defende a implementação urgente de medidas, como garantir o acesso universal ao protetor solar, intensificar as ações de prevenção e aprimorar o diagnóstico precoce.

Acesso ao protetor solar

Em comunicado oficial, a SBD informou que pretende engajar parlamentares brasileiros para que o filtro solar seja incluído na lista de itens essenciais na Reforma Tributária. A expectativa é que a redução de impostos diminua os custos do produto, ampliando seu acesso para toda a população.

Os dados que compõem o panorama do câncer de pele no Brasil foram apresentados a deputados e senadores. O objetivo é contribuir e incentivar a regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que estabelece a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer.

FONTE/CRÉDITOS: Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil
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