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Terça-feira, 21 de Abril 2026
Justiça

Manifestação em São Paulo clama por justiça para o cão Orelha

O protesto reivindicou a punição dos adolescentes que torturaram o animal, que, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser eutanasiado um dia após o ocorrido.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Manifestação em São Paulo clama por justiça para o cão Orelha
© Letycia Bond/ Agência Brasil
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Neste domingo (1º), a Avenida Paulista foi palco de uma manifestação que reuniu centenas de pessoas, com o objetivo de cobrar das autoridades a responsabilização dos adolescentes que agrediram brutalmente o cão vira-lata Orelha. O animal, que vivia sob os cuidados de uma comunidade na Praia Brava, litoral de Santa Catarina, foi vítima de tortura em 4 de janeiro e, devido à gravidade de seus ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia no dia seguinte, não resistindo à brutalidade sofrida.

Majoritariamente vestidos de preto, muitos manifestantes exibiam camisetas estampadas com a imagem de Orelha e frases de impacto, como "Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!". Adesivos com mensagens similares foram amplamente distribuídos entre o público, que abrangia diversas faixas etárias e incluía pessoas acompanhadas de seus próprios animais de estimação.

Com início às 10h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), o protesto seguia mobilizado até as 13h, ecoando gritos de ordem como "Não são crianças, são assassinos!" e "Não vai cair no esquecimento!". Cartazes que pleiteavam a redução da maioridade penal podiam ser observados pontualmente entre a multidão.

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A psicóloga Luana Ramos manifesta-se favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, um tema que ressurgiu no debate do Congresso Nacional, particularmente na Câmara dos Deputados. Essa proposta abrange crimes violentos, como os hediondos, o homicídio doloso e a lesão corporal seguida de morte.

Luana Ramos expressou sua indignação: "Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos, enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Tal disparidade é inaceitável."

Ela complementou, criticando a tentativa dos pais dos agressores de minimizar a gravidade do ocorrido: "Isso não se classifica como erro. Erros podem ser corrigidos. Isso, contudo, não tem reparação, é irreversível. Foi um ato de assassinato e crueldade". Uma publicação viral na internet mostra a mãe de um dos adolescentes afirmando que tudo não passou de um equívoco.

Adicionalmente, os pais de dois dos adolescentes, juntamente com um tio, foram acusados de coação contra testemunhas, buscando impedi-las de prestar depoimento. Os jovens estão sendo investigados por ato infracional equiparado ao crime de maus-tratos.

A advogada Carmen Aires compareceu à Avenida Paulista com seus dois cães adotados e sua filha para manifestar sua revolta pelo falecimento de Orelha, que, segundo relatos, seria a segunda vítima conhecida dos jovens catarinenses. A primeira teria sido um outro cachorro que esteve à beira da morte por afogamento.

Carmen defende que adolescentes de 15 anos já deveriam ser responsabilizados criminalmente, e considera as sanções aplicadas a quem comete violência contra animais como excessivamente brandas. "São muito leves, quase inexistentes. Não surtiram efeito algum, tanto é que as atrocidades persistem. A legislação é recente, mas precisa ser revisada, pois barbaridades estão ocorrendo, e não é mais tolerável presenciar isso no noticiário e nas redes sociais", declarou.

A instituição Ampara Animal oferece em sua plataforma digital uma variedade de recursos destinados a apoiar a conscientização social. Um dos pontos de alerta é a conexão existente entre a violência que atinge animais e aquela praticada contra mulheres.

O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, vindos de Belém, visitava os pontos turísticos da capital paulista quando, desconhecendo o protesto, se juntou à manifestação, impulsionado pelo mesmo sentimento de indignação e injustiça. Questionados a respeito de uma eventual correlação entre a etnia dos jovens e seu comportamento desprovido de remorso, ambos responderam em uníssono: "Com certeza."

O publicitário criticou os familiares empenhados em silenciar o ocorrido: "A cor, a classe social. Acharam que tinham o direito e simplesmente agiram. Acreditavam que estavam no seu direito. As filmagens são explícitas. Eles não agiram como se estivessem cometendo um delito, como se fosse algo errado. Não, eles fazem como se estivesse dentro do direito deles". Ele prosseguiu: "Foi um ato de sadismo extremo, estarrecedor. Hoje foi um cachorro. E amanhã? Eles acham que as vidas pertencem a eles, que detêm o poder de ceifar vidas?"

A psicóloga complementou: "Está intrinsecamente ligado ao que lhes é prometido. O branco, especialmente o homem branco de classe média e alta, tem um privilégio garantido. Eles sabem que possuem essa vantagem. Sentem-se donos do mundo, acreditando que podem matar. Não apenas um cachorro, mas também mulheres". E concluiu: "Imagine as namoradas deles."

Ela finalizou: "Estamos presenciando, através do caso Orelha, apenas a porção visível de um problema maior, pois há casos diários e constantes de maus-tratos, e pouco ou nada é feito. São as organizações não governamentais (ONGs) que, com grande esforço e dedicação, junto a protetores independentes, se esforçam para atenuar o sofrimento desses animais."

FONTE/CRÉDITOS: Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil
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