A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) celebrou seus 70 anos nesta quinta-feira (28) em audiência na Câmara dos Deputados, onde apresentou avanços na produção de radiofármacos e o futuro da energia nuclear no país. O encontro reuniu lideranças do setor para discutir o cronograma do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) e a necessidade de investimentos estruturantes.
O presidente da instituição, Francisco Rondinelli Júnior, ressaltou que o Ipen é responsável por suprir a demanda nacional de tecnécio, essencial para a maioria dos exames diagnósticos. A construção do RMB visa reduzir a dependência externa de insumos, com a inauguração da infraestrutura física prevista para o mês de junho.
Além da medicina, a autarquia atua na esterilização de insumos hospitalares e biológicos, incluindo o uso inovador de pele de tilápia para queimaduras. A tecnologia nuclear brasileira também é aplicada no controle de vetores como o Aedes aegypti e no beneficiamento industrial de minerais e pedras preciosas.
Expansão da matriz e soberania energética
O deputado Julio Lopes, coordenador da Frente Parlamentar da Tecnologia e Atividades Nucleares, enfatizou que a finalização de Angra 3 é vital para garantir uma fonte de energia limpa. Segundo o parlamentar, o Brasil deve aproveitar suas vastas reservas de urânio para gerar empregos e desenvolvimento tecnológico.
Desafios no quadro de pessoal e orçamento
A diretoria da CNEN alertou para o risco operacional devido à falta de concursos públicos por mais de uma década. Atualmente, menos da metade dos postos de trabalho estão ocupados, situação que o governo tenta mitigar com a convocação de novos aprovados em certames recentes.
O deputado Reimont reforçou a importância de nomear o quadro reserva de concursados para garantir a continuidade das pesquisas. A autarquia passou por uma reestruturação em 2025, focando em inovação e formação de RH, enquanto a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) assumiu a regulação.
Trajetória histórica e segurança radiológica
Fundada em 1956, a autarquia evoluiu de um centro de pesquisa pioneiro para uma estrutura robusta de desenvolvimento científico. A história da instituição também é marcada pela gestão de crises, como o acidente com o Césio-137 em Goiânia, ocorrido em 1987.
Aquele episódio, que resultou na criação de protocolos rígidos de segurança e no depósito de rejeitos em Abadia de Goiás, voltou ao debate público recentemente. O caso ganhou visibilidade internacional através de produções em plataformas de streaming, destacando a importância da vigilância radiológica permanente.