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Domingo, 13 de Setembro 2026
Direitos Humanos

Estado reconhece responsabilidade pela morte de Marighella há 30 anos

Filho do guerrilheiro e comissões de direitos humanos reforçam a importância da reparação histórica e da preservação da memória para a democracia.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Estado reconhece responsabilidade pela morte de Marighella há 30 anos
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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Há três décadas, no dia 11 de setembro de 1996, a emissão oficial do atestado de óbito do ex-deputado e guerrilheiro marcou formalmente o reconhecimento da responsabilidade do Estado brasileiro na morte de Marighella. O documento, concedido com base na Lei 9.140/1995, representou o marco inicial para que a família do militante obtivesse a devida reparação histórica e o esclarecimento das circunstâncias de seu assassinato durante a ditadura militar.

A trajetória para a confirmação dos fatos começou muito antes. Em 4 de novembro de 1969, o estudante Carlos Augusto, aos 20 anos, identificou o corpo do pai por meio de uma foto transmitida via telex pelo jornal Tribuna da Bahia. Alvo de emboscada articulada por agentes estatais em São Paulo, o líder político teve sua execução dissimulada como confronto policial.

O reconhecimento legal possibilitou reverter arbitrariedades e assegurar direitos civis. Inicialmente enterrado como indigente, o guerrilheiro teve seus restos mortais trasladados para Salvador apenas em 1979, após a promulgação da Lei de Anistia. A medida também beneficiou outras famílias cujos parentes permaneciam desaparecidos e desprovidos de registros legais.

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Atuação da Comissão Especial e retificação de documentos

Criada para apurar violações do período autoritário, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos desmistificou a versão oficial da época. Segundo o jurista Miguel Reale Júnior, primeiro presidente do colegiado, o trabalho permitiu provar que houve fuzilamento de uma pessoa sob custódia estatal, configurando crime de Estado.

Processos recentes garantiram ajustes detalhados nos registros oficiais. Conforme detalhou Eugênia Gonzaga, atual presidente da comissão, atestados foram retificados para fazer constar informações omitidas, como o matrimônio na clandestinidade com a ativista Clara Charf, falecida em 2025. As certidões passaram a registrar mortes decorrentes de perseguição política.

Nilmário Miranda, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e autor do livro Dos Filhos deste Solo, destacou a persistência dos familiares. Ao lado do capitão desertor Carlos Lamarca, beneficiado na mesma sessão, o reconhecimento exigiu anos de dedicação contínua para resgatar a verdade e reabilitar trajetórias perseguidas.

Preservação da memória e legado acadêmico

Hoje com 78 anos, o advogado Carlos Augusto defende que o resgate histórico deve atuar de forma pedagógica na sociedade, prevenindo novos retrocessos autoritários. Um dos marcos recentes de reparação ocorreu na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que concedeu a outorga simbólica do diploma de engenheiro a Carlos Marighella.

Reconhecido como um dos alunos mais destacados da Escola Politécnica, Marighella frequentou quatro anos de curso até ser preso e impedido de concluir as avaliações finais. Embora acervos intelectuais e bens pessoais da família tenham sido confiscados, seu filho ressalta que o ensinamento de resiliência e a busca por um memorial mantêm viva a luta pela democracia.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil
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