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Sábado, 12 de Setembro 2026
Direitos Humanos

UFRJ entrega diplomas póstumos a estudantes perseguidos pela ditadura militar

Ação da universidade busca reparar os danos históricos sofridos por alunos e professores torturados e mortos durante o regime de exceção no Brasil.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
UFRJ entrega diplomas póstumos a estudantes perseguidos pela ditadura militar
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Em uma solenidade marcada por emoção no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (9), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu diplomas póstumos a 23 estudantes assassinados ou desaparecidos durante a ditadura militar. A iniciativa visa reparar historicamente acadêmicos que tiveram suas trajetórias interrompidas pela repressão violenta do Estado, além de homenagear também dois professores da instituição.

Entre os homenageados está o ex-estudante de economia Fernando Augusto da Fonseca. Expulso da UFRJ por sua militância política, Fernando fugiu para o Recife, onde foi detido e torturado até a morte pelo Exército há 53 anos. Sua esposa grávida e seu filho de apenas 3 anos permaneceram detidos em um hotel até a entrega do corpo.

O filho da vítima, o administrador e atual professor da UFRJ André Luiz Araújo da Fonseca, de 56 anos, recebeu o documento em nome do pai. Para ele, a homenagem simboliza a realização de um sonho interrompido pelo autoritarismo, sendo a honraria de maior peso simbólico já recebida pela família.

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Memória, verdade e democracia

O reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, enfatizou que o ato reafirma o compromisso da instituição com a memória e a democracia. Segundo Medronho, lembrar as atrocidades do passado é indispensável para construir a coragem necessária para defender os direitos fundamentais no presente e impedir que tais graves violações voltem a se repetir.

O jornalista e ex-líder estudantil Franklin Martins, presidente do DCE da UFRJ em 1968, ressaltou a resistência de jovens e docentes contra a repressão. Ele destacou que a comunidade acadêmica recusou a submissão mesmo enfrentando invasões, agressões e violência policial, esperando que a atitude da UFRJ inspire outras universidades brasileiras a resgatar suas histórias.

Já a atual coordenadora do DCE Mário Prata, Malu Cerqueira, pontuou que o gesto possui um duplo valor: acalenta os familiares e marca uma forte posição política contemporânea. Ela ressaltou que a universidade deve preservar a lembrança dos estudantes que lutaram contra a ditadura, e não a figura de torturadores.

Processo de identificação dos homenageados

A lista dos agraciados foi elaborada pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ a partir de documentos e relatórios oficiais. O movimento de reparação teve início em julho de 2026, quando o estudante de economia Stuart Angel Jones, morto sob tortura em 1971, recebeu o primeiro diploma póstumo, entregue à sua irmã, Hildegard Angel.

Confira a lista dos 23 estudantes homenageados pela universidade:

  • Adriano Fonseca Fernandes Filho
  • Ana Maria Nacinovic
  • Antônio de Pádua Costa
  • Antônio Teodoro de Castro
  • Antônio Sérgio de Matos
  • Arildo Airton Valadão
  • Áurea Eliza Pereira Valadão
  • Ciro Flávio Salazar e Oliveira
  • Fernando Augusto da Fonseca
  • Flávio Carvalho Molina
  • Frederico Eduardo Mayr
  • Guilherme Gomes Lund
  • Hélio Luiz Navarro
  • Jana Moroni Barroso
  • José Roberto Spigner
  • Kleber Lemos da Silva
  • Luiz Alberto Andrade de Sá e Benevides
  • Maria Célia Corrêa
  • Maria Regina Lobo Leite Figueiredo
  • Mário de Souza Prata
  • Paulo Costa Ribeiro Bastos
  • Solange Lourenço Gomes
  • Sonia Maria Lopes de Moraes

Além dos graduandos, a UFRJ também prestou reconhecimento oficial ao legado institucional de dois docentes assassinados no período: o professor Lincoln Bicalho Roque, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, e o pesquisador Raul Amaro Nin, da Faculdade de Engenharia.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil
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