A apuração sobre a morte da policial militar Gisele Santana ganhou novos contornos após a exumação do corpo da soldado, realizada na última sexta-feira (6). A agente foi encontrada morta com um projétil na cabeça em 18 de fevereiro, no interior do apartamento onde residia com o esposo, localizado na região do Brás, na capital paulista.
Conforme os dados da perícia, análises recentes detectaram marcas no pescoço e em outras regiões do corpo da policial, o que levou os peritos a solicitarem exames complementares para esclarecer as circunstâncias do óbito.
Exames analisam possível compressão no pescoço
Após o procedimento de exumação, médicos legistas do Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital realizaram novos exames de imagem no sábado (7), incluindo uma tomografia, com o objetivo de analisar a lesão identificada na área do pescoço.
O principal intuito dessa investigação é confirmar ou descartar a possibilidade de a policial ter sofrido algum tipo de compressão na região cervical antes do disparo fatal.
Gisele foi atingida por um tiro dentro do imóvel que compartilhava com seu marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto.
Cena chamou atenção de bombeiro experiente
Outro ponto que passou a ser considerado relevante na investigação foi a maneira como a arma foi encontrada no local.
Segundo relatos, no momento em que os bombeiros chegaram ao apartamento, o revólver estava posicionado na mão da policial. Um dos socorristas, com aproximadamente 15 anos de experiência, declarou em depoimento que a cena lhe pareceu incomum e, por isso, decidiu registrar fotografias.
De acordo com seu testemunho, a arma estava encaixada na mão de Gisele de uma forma que ele nunca havia presenciado em ocorrências classificadas como suicídio.
Durante o atendimento da ocorrência, a equipe também notou outros aspectos considerados atípicos.
Conforme os depoimentos, o sangue já se encontrava coagulado quando os socorristas chegaram ao apartamento. Além disso, o estojo da bala não foi localizado no ambiente, fato que também está sendo analisado pelos investigadores.
Defesa do marido nega suspeitas
Apesar das inconsistências apontadas pela investigação, o marido da policial mantém a versão de que Gisele tirou a própria vida com um disparo na cabeça.
Em comunicado oficial, a defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que, até o presente momento, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no caso. Os advogados também informaram que o oficial tem cooperado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos.
A defesa do desembargador Cogan, por sua vez, declarou que ele compareceu ao local apenas na condição de amigo do tenente-coronel e que eventuais informações adicionais serão fornecidas às autoridades responsáveis pela investigação.