O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal, exigiu nesta terça-feira esclarecimentos a respeito de uma suposta conexão entre o Banco Master, o Instituto Iter e acordos financeiros estabelecidos com a prefeitura de São Paulo.
No ofício enviado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, Dino pontuou que, no mês de março de 2025, o ministro André Mendonça teve uma reunião com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas dependências de uma companhia privada.
De acordo com o magistrado, a partir desse contato, a entidade educacional iniciou parcerias financeiras com a gestão municipal paulistana, que é parte em um litígio sobre a regulamentação de cemitérios particulares no estado.
O relator destacou diversos fatores que exigem transparência para verificar se há vínculos entre o encontro, os contratos firmados e as decisões do próprio Mendonça no processo dos cemitérios.
Apesar dos questionamentos, o magistrado ressaltou que isso não significa apontar culpa ou afirmar que houve interferência indevida nas decisões judiciais tomadas no caso.
O objetivo é apenas apurar indícios temporais relevantes para garantir a total clareza dos fatos perante os órgãos competentes, conforme pontuou no documento oficial.
Paralelamente, o plenário da corte máxima iniciou a análise sobre a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes ser investigado devido a supostos contatos com o mesmo ex-banqueiro.
A polêmica ganhou repercussão quando André Mendonça, que antes relata o caso, retirou o sigilo dos autos e repassou diálogos atribuídos a Moraes para a presidência do tribunal.
Na mesma oportunidade, Mendonça comunicou seu desligamento do Instituto Iter, fundado em novembro de 2023, após sua posse no tribunal superior.
Em sua defesa anterior, ele afirmou que jamais obteve dividendos ou lucros financeiros da entidade educacional criada por ele.