Durante a conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada em Brasília, especialistas debateram a importância da participação feminina nos espaços de poder. O evento reuniu comunicadoras e advogadas para discutir estratégias conjuntas contra o machismo, a misoginia e a desinformação no Brasil.
Participantes apontaram que profissionais da informação precisam atuar ativamente no combate a conteúdos misóginos. Antonia Pellegrino, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), lembrou que a união entre mulheres já gerou grandes vitórias históricas, citando a articulação do “lobby do batom” na Constituinte.
Estratégia de sobrevivência
Pellegrino destacou que a abertura de cargos no Judiciário na próxima década representa uma oportunidade. Para ela, trabalhar em rede é uma tática histórica de sobrevivência feminina. Além disso, redes de apoio funcionam como barreiras contra o avanço de discursos extremistas e campanhas de desinformação.
Informação contra o machismo
A advogada e influenciadora Sara Gabriela afirmou que o machismo precisa ser enfrentado como um elemento cultural. Ela defende que a comunicação sobre direitos e violência não deve ser suavizada, exigindo dados objetivos para transformar a sociedade desde as comunidades locais.
No mesmo sentido, a influenciadora Miriane Ferreira usa sua visibilidade para descomplicar o direito de família. Ela ressalta que muitas mulheres perudem direitos patrimoniais por desconhecerem a importância jurídica do trabalho doméstico não remunerado.
Desafios no Judiciário
A advogada Mayra Cotta pontuou que o aumento das denúncias esbarra em falhas estruturais. Segundo ela, o sistema de justiça ainda carece de sensibilidade adequada ao lidar com casos de assédio e violência contra a mulher.
Por fim, a jornalista Thayse Xavier e a cineasta Fernanda Amim reforçaram que o engajamento político e a narrativa de histórias reais são essenciais para fortalecer a voz das mulheres na sociedade.