O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, enviou um ofício nesta quinta-feira (17) para questionar o colega Luiz Fux sobre a condução de uma votação na Segunda Turma. O caso envolveu o recente e breve afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
A principal reclamação do decano foi o prazo exíguo de apenas 22 minutos entre o aviso da sessão extraordinária e o início do julgamento. Para Mendes, o tempo foi insuficiente para uma análise adequada.
“Não é razoável esperar que, nesse intervalo, um julgador examine os autos”, pontuou o magistrado no documento. A decisão inicial de afastar o chefe da corporação havia sido tomada pelo ministro André Mendonça.
O afastamento ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes bilionárias atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. No dia seguinte, contudo, o delegado retomou o posto por ordem de Flávio Dino.
Apesar de o caso já ter sido solucionado com o retorno do delegado, o ofício serviu para formalizar o descontentamento de Mendes com os métodos adotados na Segunda Turma da corte.