O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta segunda-feira (31) os microdados do Censo 2022 no Brasil, adotando protocolos inéditos de segurança para proteger a privacidade da população diante do avanço de tecnologias como a inteligência artificial.
As informações divulgadas correspondem à amostra da população que respondeu ao questionário detalhado da pesquisa. Esse conjunto estatístico permite analisar indicadores profundos sobre educação, trabalho, renda, habitação e migração no país.
Cada registro refere-se a uma unidade observada, que pode ser um domicílio, família ou pessoa. Para resguardar os cidadãos, os arquivos foram liberados sem nomes, CPF ou endereços, passando por rigoroso tratamento de anonimização conforme a legislação vigente.
Desafios tecnológicos e LGPD
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, ressaltou que este é o sexto censo a disponibilizar microdados no país. Segundo ele, os avanços em ciência de dados exigiram reavaliar o modelo tradicional de publicação para evitar a reidentificação de informantes.
A adequação contou com suporte na Lei nº 5.534/1968 e na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Por conta dessas revisões de segurança, a entrega sofreu ajustes no cronograma, segundo o diretor de pesquisas Gustavo Junger.
A coordenadora técnica Giulia Scappini reiterou que o aumento no compartilhamento de informações digitais exigiu aprimoramentos metodológicos para mitigar vulnerabilidades e proteger a privacidade dos respondentes.
Estrutura em três níveis de acesso
Para equilibrar transparência e segurança, o Comitê Técnico de Qualidade do IBGE estabeleceu um sistema com três camadas de consulta: pública, controlada e restrita.
O acesso público permite o download direto no site oficial sem cadastro, oferecendo dados agregados por estados. Já a modalidade controlada exige autenticação pelo gov.br e assinatura de termo de compromisso para obter arquivos rastreáveis.
Por fim, a Sala de Acesso Restrito (SAR) exige aprovação prévia de projetos de pesquisa e consulta presencial. O coordenador Cimar Azeredo enfatizou que os dados não podem ser usados para fins comerciais, publicitários ou de reidentificação.