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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
Economia

Lucro do Banco do Brasil tem queda expressiva com agravamento da crise no agronegócio

No primeiro trimestre, o resultado líquido ajustado da instituição financeira atingiu R$ 3,4 bilhões, refletindo a pressão da inadimplência rural no balanço.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Lucro do Banco do Brasil tem queda expressiva com agravamento da crise no agronegócio
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O Banco do Brasil (BB) registrou uma acentuada diminuição em seu lucro, impactado pelo aumento da inadimplência no setor de crédito rural. Conforme divulgado nesta quarta-feira (13), o lucro líquido ajustado da instituição no primeiro trimestre de 2026 totalizou R$ 3,4 bilhões, representando uma retração de 54% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em decorrência da piora nos resultados, o banco também ajustou para baixo sua projeção de lucro para o ano de 2026.

Principais indicadores:

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Leia Também:

  • Lucro líquido ajustado no primeiro trimestre: R$ 3,4 bilhões, uma queda de 54% em 12 meses.
  • Provisão para perdas (reservas): R$ 16,8 bilhões, um aumento de 46% em 12 meses.
  • Carteira total de crédito: R$ 1,3 trilhão, com elevação de 2,2% em um ano.
  • Crédito destinado ao agronegócio: R$ 418,4 bilhões.
  • Taxa de inadimplência no agronegócio: 6,22%, um aumento de 3,5 pontos percentuais em 12 meses.
  • ROE (rentabilidade): 7,3%, uma redução de 9,4 pontos em 12 meses.
  • Lucro projetado para 2026: entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, inferior à previsão anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

Pressão do setor agropecuário

A principal dificuldade enfrentada pela instituição bancária reside no crédito rural. De acordo com o BB, o crescimento dos atrasos nos pagamentos por parte dos produtores rurais elevou significativamente os custos de empréstimo, forçando o banco a destinar mais recursos para cobrir potenciais inadimplências.

A provisão para perdas, que corresponde aos fundos separados pelo banco para mitigar riscos de calotes em empréstimos, ascendeu a R$ 16,8 bilhões em comparação com o primeiro trimestre de 2025. Em comunicado oficial, o banco esclareceu que o aumento das perdas esperadas reflete, primordialmente, a deterioração da inadimplência nas operações com produtores rurais.

Inadimplência em ascensão

O índice de atrasos superiores a 90 dias no agronegócio atingiu 6,22% da carteira rural, um acréscimo de 3,5 pontos percentuais em um ano. Para o banco como um todo, a inadimplência geral situou-se em 5,05%.

O setor agropecuário tem enfrentado desafios desde a quebra da safra de soja em 2024, após uma produção recorde em 2023. Esse cenário resultou em um aumento nas recuperações judiciais entre os produtores rurais ao longo de 2024 e 2025.

Resultado financeiro reduzido

Diante do cenário econômico mais desafiador, o Banco do Brasil revisou para baixo sua estimativa de lucro para 2026. A projeção anterior indicava um resultado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, mas a expectativa atual foi ajustada para uma faixa de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.

Segundo o banco, essa revisão leva em consideração:

  • O agravamento dos riscos no agronegócio.
  • As incertezas de natureza geopolítica.
  • Os impactos sobre a conjuntura econômica.
  • A deterioração dos indicadores macroeconômicos.

Rentabilidade em declínio

Outro indicador que demonstrou uma tendência de queda foi o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), métrica utilizada pelo mercado financeiro para avaliar a rentabilidade das instituições bancárias. A taxa apresentou uma redução de 16,7% para 7,3% em um período de 12 meses.

O desempenho também ficou abaixo do registrado no último trimestre de 2025, quando o índice marcava 12,4%.

Medidas para mitigar impactos

Para minimizar os efeitos da crise no campo, o banco informou ter fortalecido seus mecanismos de cobrança e renegociação de dívidas. Uma das iniciativas implementadas foi o programa BB Regulariza Dívidas Agro.

De acordo com a instituição:

  • Foram renegociados R$ 37,9 bilhões em débitos.
  • Mais de 73 mil operações foram reestruturadas.
  • Cerca de 25,5 mil produtores rurais foram beneficiados.

Adicionalmente, o banco comunicou a ampliação do uso de garantias e o reforço das ações judiciais voltadas à recuperação de crédito.

Expansão da carteira de crédito

Apesar do contexto desafiador, a carteira total de crédito do banco expandiu 2,2% em um ano, alcançando R$ 1,3 trilhão. O segmento de pessoas físicas destacou-se positivamente, impulsionado principalmente pelas operações de crédito consignado.

Os ativos totais do banco encerraram o trimestre em R$ 2,6 trilhões, enquanto o patrimônio líquido atingiu R$ 194,9 bilhões.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
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