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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
Direitos Humanos

Conexão instável e ausência de identificação dificultam combate à desinformação

Pesquisa da Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas revela entraves para o acesso à informação em comunidades brasileiras.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Conexão instável e ausência de identificação dificultam combate à desinformação
© Bruno Peres/Agência Brasil
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A qualidade precária da conexão à internet e a ausência de identificação clara de fontes emergem como barreiras significativas para o acesso à informação, conforme aponta um estudo divulgado nesta quarta-feira (13). A pesquisa, intitulada 'Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil', também destaca que a distância entre as pessoas e os canais de informação agrava o problema.

O levantamento sugere que, para além de aprimorar formatos e expandir o alcance, é crucial reformular a abordagem jornalística, migrando de um modelo unilateral para um que promova escuta ativa e colaboração, segundo a Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas.

A investigação ouviu aproximadamente 1,5 mil indivíduos em Santarém (PA), Recife (PE) e São Paulo (SP), resultando em 16 propostas voltadas ao fortalecimento do jornalismo, ao combate à desinformação e à democratização da comunicação.

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Adicionalmente à conectividade limitada, apontada por um quarto dos participantes, o estudo revela que moradores de periferias enfrentam dificuldades em discernir informações falsas (17%) e associam a escassez de tempo (16%) à dificuldade em selecionar conteúdos confiáveis.

Indivíduos com rotinas intensas e múltiplas responsabilidades, um perfil comum entre muitas mulheres, dispõem de menos tempo para analisar criticamente o conteúdo recebido, conforme a análise da pesquisa.

Para reverter esse quadro, a Coalizão enfatiza o valor do jornalismo local, que goza da confiança da população e compreende a realidade territorial, conforme explicou Thais Siqueira, coordenadora do estudo e diretora da Coalizão.

De acordo com o levantamento, a principal motivação para a busca de notícias é a compreensão de eventos locais (17%), seguida pela tomada de decisões (14%), o compartilhamento de informações (12%) e a participação em conversas (11%).

Os canais preferenciais para acesso a notícias são aplicativos de mensagens e redes sociais, com destaque para WhatsApp e Instagram.

Regiões

Observam-se variações regionais significativas. Enquanto Recife e São Paulo apresentam maior diversidade de plataformas, incluindo sites de notícias e redes sociais, Santarém demonstra uma preferência maior por WhatsApp, TV aberta e rádio. Essa disparidade sublinha a importância das mídias tradicionais em áreas com acesso digital mais restrito.

O celular é o dispositivo mais utilizado pelo público pesquisado, seguido por televisão, computador e rádio. Mídias tradicionais, sites, pessoas conhecidas, professores e lideranças comunitárias foram identificados como as fontes mais confiáveis para a disseminação de notícias verdadeiras.

Contrariando expectativas, influenciadores digitais aparecem no final da lista de fontes confiáveis, atrás até mesmo de grupos de WhatsApp.

Combate à desinformação

Apesar da confiabilidade e acessibilidade das mídias tradicionais, seu uso não garante a erradicação da desinformação. O estudo aponta que conteúdos produzidos localmente, que respeitam saberes diversos, a pluralidade de expressões e os métodos coletivos de construção e validação do conhecimento, tendem a gerar maior engajamento.

Este cenário representa uma oportunidade para valorizar as dinâmicas locais, ressalta Thais Siqueira.

"A confiança é construída por meio de relações, experiências e referências locais, e o jornalismo precisa dialogar com essa realidade, em vez de ignorá-la", resume a diretora da Coalizão.

Thaís Siqueira acrescenta que a pesquisa demonstra que o enfrentamento à desinformação transcende a verificação de fatos. "Requer uma reorganização e inclui o reconhecimento e financiamento de sistemas de comunicação próprios", pontuou.

Esta é uma das 16 recomendações do estudo, que também propõe a criação de conteúdo em formatos de áudio, vídeos curtos e materiais compartilháveis, visando facilitar o acesso para usuários com pacotes de dados limitados que consomem informação principalmente via aplicativos em celulares.

Levantamento

Para a realização desta pesquisa, a Coalizão de Mídias formou pesquisadores, jornalistas e comunicadores locais. Em Recife, artistas de rua e mães jovens também colaboraram na aplicação de questionários. A coleta e análise de dados foram conduzidas sob a estratégia do Observatório Ibira30 e com o apoio da Fundação Tide Setubal.

A Coalizão de Mídias congrega iniciativas de cinco estados brasileiros: Periferia em Movimento (SP), Desenrola e Não Me Enrola (SP), A Terceira Margem da Rua (SP), Frente de Mobilização da Maré (RJ), Fala Roça (RJ), Rede Tumulto (PE), Mojubá Mídias e Conexões (BA) e Coletivo Jovem Tapajônico (PA).

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
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