Familiais de vítimas da Operação Contenção realizaram um ato na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, para cobrar justiça e respostas sobre a incursão policial mais letal da história do estado. O protesto ocorreu nesta quarta-feira e reuniu dezenas de pessoas.
A manifestação rememorou as vítimas da ação realizada em outubro de 2025. Na ocasião, a entrada de agentes nos Complexos da Penha e do Alemão resultou na morte de 122 pessoas, gerando forte comoção e revolta entre os moradores da zona norte.
Durante o evento, Tauã Brito, mãe de um dos jovens mortos, discursou emocionada. Ela criticou a desigualdade no tratamento dado pelo Estado e afirmou que a letalidade policial muitas vezes é ditada pelo endereço dos cidadãos e por questões sociais.
A confeiteira relembrou que, em outras ocorrências em bairros nobres da capital fluminense, apreensões expressivas de armamentos ocorreram sem disparos fatais. Para ela, o direito à vida precisa ser universal e a lei deve ser cumprida sem execuções sumárias.
O ato também contou com denúncias baseadas em relatórios de organizações internacionais. A Human Rights Watch apontou indícios graves de desvios de conduta durante a ação, incluindo manipulação de câmeras corporais e um alto percentual de disparos letais direcionados.
Outras mães enlutadas participaram do protesto para exigir transparência nos laudos periciais e nos depoimentos prestados. Elas afirmam que a falta de respostas prolonga o sofrimento e reforça a impunidade em relação aos abusos cometidos.
Além da cobrança por investigações céleres, moradores e ativistas exigiram maior presença do poder público com foco em políticas sociais. O objetivo é afastar a juventude da criminalidade por meio de oportunidades educacionais e culturais.