O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), admitiu nesta quarta-feira (28) que não existem evidências de fraude eleitoral na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ocorre após a publicação de uma carta contestada de Flávio Bolsonaro (PL), que viajou para os Estados Unidos após ser derrotado no segundo turno das eleições.
No documento publicado na rede X, o aliado do PL chamava a si mesmo de "verdadeiro presidente eleito". Contudo, a mensagem foi apagada minutos depois e substituída por uma versão onde se definia como "líder do Brasil". Marinho alegou um provável erro de redação no texto original.
Ao ser questionado sobre as denúncias feitas pelo correligionário, o coordenador da campanha reconheceu a falta de embasamento. "O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido", afirmou o senador em coletiva no Senado Federal.
Apesar de Flávio ter deixado o país voluntariamente e sem ordem de prisão decretada, Marinho classificou a partida como um ato de "exílio". O ex-candidato possuía apenas a determinação judicial de entregar seu passaporte à Polícia Federal antes de embarcar em voo clandestino a partir da Argentina.
O parlamentar do PL enfrenta apurações por lavagem de dinheiro, corrupção e uso de plataformas de apostas. Com o fim do seu mandato no Senado no próximo ano, ele perderá a imunidade parlamentar e o foro privilegiado, passando a responder diretamente na primeira instância da Justiça.
Questionamentos e apuração das urnas
Na manifestação oficial, Flávio atribuiu sua contestação à prorrogação da votação até as 19h pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin. Entretanto, a extensão do horário gerou apenas 34.393 votos adicionais em um universo de 158,7 milhões de eleitores aptos no país.
A apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou a vitória de Lula com 64 milhões de votos, frente aos 59 milhões obtidos pelo candidato do PL. O resultado do pleito foi amplamente reconhecido internacionalmente pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e referendado pelo próprio partido do opositor.
Sobre manifestações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que evitou comentar o episódio, Marinho destacou que cabe ao Brasil resolver suas próprias questões internas. O senador reiterou a necessidade de preservar a soberania nacional sem interferências estrangeiras no cenário político local.