O Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou um estudo nesta terça-feira (23) revelando que a recuperação de veículos roubados no Rio de Janeiro se concentra majoritariamente em cinco municípios fluminenses, evidenciando a influência de territórios dominados pela criminalidade na dinâmica desses delitos.
Segundo o levantamento, cerca de 80% das ocorrências de reaver bens subtraídos em 2025 ocorreram na capital, Duque de Caxias, São Gonçalo, Belford Roxo e São João de Meriti.
Os dados demonstram que a localização dos automóveis e motocicletas ocorre, em sua maioria, no interior de comunidades ou em perímetros adjacentes a áreas sob controle de facções criminosas.
Das mais de 17 mil recuperações registradas no último ano, 18% ficaram restritas a apenas seis regiões da capital, incluindo os complexos do Chapadão, Pedreira, Juramento, Manguinhos, Parque Arará e Maré.
Dinâmica territorial do crime
O ISP ressalta que o roubo e furto de veículos são crimes patrimoniais de alta incidência que alimentam diretamente o mercado ilícito, gerando consequências que extrapolam o prejuízo financeiro individual das vítimas.
A concentração espacial do crime é nítida: metade dos roubos na cidade do Rio ocorre em apenas 4,3% de sua extensão territorial, enquanto em Duque de Caxias essa mancha criminal ocupa somente 2,6% da área territorial.
Em outras cidades da Região Metropolitana, como São João de Meriti, São Gonçalo e Nova Iguaçu, a concentração das subtrações abrange 12%, 5,2% e 3% da área dos municípios, respectivamente.
Rapidez na localização dos bensO estudo mostra uma eficiência notável na retomada dos bens: 95,4% dos carros e 64,4% das motos são recuperados em um intervalo de até 72 horas após o registro da ocorrência policial.
Essa rapidez é possibilitada pela agilidade das vítimas, já que mais de 90% dos proprietários comunicam o crime às autoridades em menos de três dias, permitindo ações táticas imediatas.
Por fim, os especialistas do instituto observam que os fluxos de deslocamento dos veículos sugerem rotas planejadas para centros de receptação, seguindo a lógica das redes de transações ilegais presentes em cada território.