O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, teve seu primeiro diálogo com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante a reunião do G20 realizada em Atlanta, nos Estados Unidos. O contato inicial ocorreu em um cenário geopolítico sensível, marcado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela polêmica viagem do senador derrotado Flávio Bolsonaro aos EUA.
O breve encontro entre os chefes das diplomacias dos dois países aconteceu na noite de sexta-feira (30), durante o coquetel de recepção aos chanceleres das maiores economias do mundo. Na ocasião, Vieira e Rubio concordaram em agendar uma reunião bilateral formal antes da cúpula principal do bloco, prevista para dezembro em Miami.
A Casa Branca, que exerce a presidência do grupo global em 2026, organizou a programação em Atlanta para debater segurança energética, cadeias de suprimento e crises geopolíticas. No entanto, o alinhamento político entre os países enfrenta desafios operacionais e diplomáticos relevantes.
As conversas ocorrem em um ambiente delicado, visto que Donald Trump não reconheceu formalmente a vitória de Lula. Além disso, o governo norte-americano concedeu permissão para a entrada de Flávio Bolsonaro no país, mesmo após a Justiça brasileira restringir a saída do parlamentar.
Diante desse cenário, parlamentares democratas nos Estados Unidos enviaram uma representação a Marco Rubio questionando o auxílio da Casa Branca na viagem do senador. Flávio é investigado no Brasil por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusações que ele nega veementemente.
Agendas bilaterais na cúpula de chanceleres
Além do diálogo com Rubio, Mauro Vieira cumpriu agenda intensa na sexta-feira (30). O diplomata brasileiro participou da abertura dos trabalhos e realizou encontros com os ministros das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, do Reino Unido, Ed Miliband, e da Polônia, Radosław Sikorski.
De acordo com informações do Itamaraty, os representantes das três nações parabenizaram o governo brasileiro pelo encerramento do processo eleitoral. O chanceler indiano destacou cumprimentos calorosos do primeiro-ministro Narendra Modi dirigidos ao presidente Lula pela vitória nas urnas.
Investigações e saída do país
A ida de Flávio Bolsonaro para o exterior ocorreu logo após o pleito de 25 de outubro, em meio a solicitações da Polícia Federal para a apreensão de seu passaporte. A corporação aponta risco de fuga devido ao avanço dos inquéritos judiciais em andamento.
Entre as apurações, a PF investiga o repasse de R$ 60 milhões efetuado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, destinado ao financiamento de uma obra cinematográfica. Paralelamente, apura-se a ligação do senador com o advogado Willer Tomaz em esquemas de fraudes no INSS e lavagem de capitais.