A expectativa do mercado financeiro para a taxa de inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi revisada para cima, atingindo 5,09% em 2024. Essa atualização, divulgada no Boletim Focus desta segunda-feira (1º), reflete as projeções de diversas instituições financeiras compiladas semanalmente pelo Banco Central (BC).
A décima segunda elevação consecutiva na previsão para o IPCA deste ano ocorre em um cenário de pressão sobre os preços de combustíveis, influenciado pela guerra no Oriente Médio. A nova projeção excede o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta de inflação definida pelo CMN é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, fixando o intervalo entre 1,5% e 4,5%.
Em abril, o IPCA registrou alta de 0,67%, impulsionado principalmente pelos preços de alimentos. No acumulado de 12 meses, a taxa de inflação ficou em 4,39%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantendo-se dentro do limite superior da meta.
As projeções para os anos seguintes também sofreram ajustes. Para 2027, a expectativa de inflação passou de 4,01% para 4,02%. Já para 2028 e 2029, as estimativas apontam para 3,66% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal ferramenta para controlar a inflação e atingir as metas estabelecidas. Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Na última reunião em abril, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, marcando a segunda vez consecutiva que os juros básicos são cortados, mesmo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O período de junho de 2025 a março deste ano viu a Selic em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas. A recente redução dos juros ocorre em um contexto de desaceleração da inflação, mas o conflito no Oriente Médio, com impacto no custo de combustíveis e alimentos, adiciona complexidade ao cenário.
O Copom não forneceu indicações sobre futuras decisões de política monetária em sua ata mais recente. No documento, o BC afirmou estar acompanhando de perto o conflito e seus potenciais efeitos sobre a trajetória da inflação.
A próxima reunião do Copom, que definirá a taxa Selic, está agendada para os dias 16 e 17 de junho.
Para o final de 2026, a estimativa dos analistas para a taxa básica de juros se manteve em 13,25% ao ano. As projeções indicam uma redução para 11,25% em 2027 e 10% em 2028. Em 2029, a taxa deve permanecer em 10% ao ano.
O aumento da Selic tem como objetivo frear a demanda aquecida, o que impacta os preços ao tornar o crédito mais caro e incentivar a poupança. Taxas de juros mais elevadas também podem restringir a expansão econômica.
Os bancos consideram outros fatores, como risco de inadimplência, margem de lucro e custos administrativos, ao definir as taxas de juros cobradas dos consumidores.
Por outro lado, a redução da Taxa Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo. Essa política pode diminuir o controle sobre a inflação, mas impulsiona a atividade econômica.
PIB e câmbio
Nesta edição do Boletim Focus, a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2024 foi elevada de 1,89% para 1,9%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,7%. O mercado financeiro estima uma expansão de 2% para o PIB em 2028 e 2029.
No primeiro trimestre de 2026, o crescimento econômico do país foi de 1,1% em relação ao trimestre anterior. O acumulado em 12 meses apresentou uma expansão de 2%, de acordo com o IBGE.
Em 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3%, com avanços em todos os setores, especialmente na agropecuária. Este resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão.
A previsão para a cotação do dólar ao final de 2024 está em R$ 5,16. Para o fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana alcance R$ 5,25.