A militante política e feminista Amelinha Teles morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Reconhecida por sua resistência histórica, ela foi presa e torturada na Operação Bandeirantes (Oban) durante a ditadura militar no Brasil.
Na estrutura do DOI-Codi em São Paulo, Amelinha sofreu torturas aplicadas pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seus filhos pequenos, Edson e Janaína, também foram levados ao local e presenciaram a violência contra os pais, além da ativista ter testemunhado o assassinato do militante Carlos Nicolau Danielli.
Sua trajetória também é marcada pelo pioneirismo no Jornal Brasil Mulher, na década de 1970, e pela contribuição direta no fortalecimento da Lei Maria da Penha, atuando como advogada e na formação de Promotoras Legais Populares.
Memória e enfrentamento do passado
Amelinha colaborou recentemente com o podcast Perdas e Danos, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e com investigações da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre o envolvimento de empresas em violações de direitos durante a ditadura.
Em análise sobre a memória do país, a pesquisadora destacou: "Nós temos que enfrentar o passado, sim, porque o presente está sendo ameaçado o tempo todo com os fantasmas do passado. Não adianta, não tem que virar a página, não dá para virar a página. A página tem que ser lida e compreendida".
Em tributo divulgado na internet, a Rede de Desenvolvimento Humano ressaltou que o Brasil perdeu uma liderança que fez da resistência sua missão, inspirando a construção de uma sociedade mais justa.
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