O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta terça-feira (10), uma operação para cumprir 20 ordens de prisão preventiva. Os alvos são o bicheiro Rogério de Andrade e membros de seu esquema de segurança que atuava na área de Bangu, na zona oeste da capital fluminense.
Rogério Andrade encontra-se detido em uma unidade prisional de segurança máxima em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, desde novembro de 2024.
De acordo com o MPRJ, o grupo criminoso incluía 18 policiais militares e penais, alguns deles já aposentados, além de um policial civil que se integrou à organização enquanto ainda estava em serviço ativo.
A execução dos mandados conta com o suporte da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, da Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária e da Corregedoria da Polícia Civil.
Conforme o Gaeco, os indivíduos denunciados eram responsáveis pela proteção de locais onde ocorria a exploração ilegal de jogos de azar na região de Bangu. Para garantir a continuidade das atividades ilícitas do grupo, eles empregavam uma estratégia de corrupção sistemática.
Os envolvidos nesta operação serão processados por crimes de organização criminosa armada, agravada pela participação de funcionários públicos e pela ligação com outras facções, além de corrupção ativa e passiva.
As ordens de prisão, emitidas pelo Juízo da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital a pedido do Gaeco/MPRJ, estão sendo cumpridas em diversos endereços nas cidades do Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti, bem como na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
Os policiais militares alvos da denúncia atuavam em unidades como a Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SSGP), o Batalhão de Policiamento de Vias Expressas (BPVE) e nos 4º, 6º, 14º, 17º, 22º, 23º e 41º Batalhões de Polícia Militar (BPM).
Rogério Andrade
Rogério é sobrinho de Castor de Andrade, figura proeminente do jogo do bicho no Rio de Janeiro e patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Castor faleceu em 1997, vítima de uma doença cardíaca.
O falecimento de Castor desencadeou uma intensa disputa pela herança dentro da família, envolvendo Paulinho de Andrade, filho de Castor, que foi assassinado na Barra da Tijuca em 1998 – crime imputado a Rogério –, e Fernando Iggnácio, genro de Castor (casado com sua filha), também vítima de homicídio.
Rogério Andrade foi detido em outubro de 2024, apontado como o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio, ocorrido em 2020.
O crime ocorreu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, logo após Iggnácio desembarcar de um helicóptero que o trazia de sua residência de praia em Angra dos Reis.
Ele foi atingido por três disparos de fuzil, sendo um deles na cabeça, resultando em morte instantânea. O atirador estava escondido em um terreno baldio adjacente ao heliporto.