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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
Economia

Ocupação de pessoas 60+ no mercado de trabalho cresce, mas informalidade preocupa

Estudo recente da Nexus revela que mais da metade dos trabalhadores idosos atua na informalidade, um desafio para a sustentabilidade econômica.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Ocupação de pessoas 60+ no mercado de trabalho cresce, mas informalidade preocupa
© Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
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O mercado de trabalho brasileiro tem observado um crescimento expressivo na participação de pessoas 60+ nos últimos dez anos, conforme um estudo recente da Nexus. Contudo, essa expansão vem acompanhada de um preocupante aumento da informalidade, com mais da metade desses trabalhadores atuando sem garantias ou proteção trabalhista.

Nos últimos dez anos, a quantidade de indivíduos com 60 anos ou mais engajados no mercado de trabalho registrou um salto de 53%. Paralelamente, a população total dessa faixa etária no Brasil expandiu-se em 37% no mesmo período.

Essa dinâmica indica que o ritmo de inclusão dos idosos no ambiente profissional supera a própria taxa de envelhecimento da população brasileira.

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Tais observações são provenientes de um levantamento detalhado, divulgado nesta semana pela Nexus, uma empresa especializada em pesquisa e inteligência de dados.

Entre 2016 e 2025, o contingente de pessoas 60+ no país cresceu de 25,8 milhões para 35,2 milhões, elevando sua representatividade na população de 13% para 17%.

No mesmo decênio, o número de trabalhadores com 60 anos ou mais no mercado de trabalho evoluiu de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões.

Ao final do ano passado, a taxa de ocupação entre as pessoas 60+ atingiu 25%, um aumento notável em comparação aos 22% registrados em 2016, marcando o pico dos últimos dez anos.

Em contraste, a população geral do Brasil cresceu 5% no período, passando de 203,2 milhões para 212,6 milhões de habitantes. O total de empregos, por sua vez, expandiu-se 14,6%, alcançando cerca de 103 milhões de trabalhadores até o final de 2025.

Meio cheio, meio vazio: A dualidade da ocupação sênior

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, descreve os resultados do estudo como um cenário de “copo meio cheio, meio vazio”, destacando a complexidade da situação.

"Por um lado, é motivo de celebração constatar que indivíduos com 60 ou 70 anos ainda possuem capacidade ativa para contribuir no mercado de trabalho", afirmou Tokarski à Agência Brasil.

No entanto, ele ressalta a precarização do período que, tradicionalmente, seria dedicado à aposentadoria, lembrando que essa faixa etária abrange também pessoas 60+ de até 75 anos.

"Uma pessoa de 75 anos, que em tese já deveria usufruir de sua aposentadoria, frequentemente se vê na necessidade de continuar trabalhando, provavelmente para complementar sua renda", explica o CEO.

Metodologia e fatores influenciadores

O estudo da Nexus utilizou como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Pnad Contínua do IBGE investiga o comportamento do mercado de trabalho para indivíduos a partir dos 14 anos, considerando todas as modalidades de ocupação, incluindo empregos formais, informais, temporários e por conta própria. Para o IBGE, somente é classificada como desocupada a pessoa que buscou ativamente por uma vaga.

O CEO da Nexus sugere que a reforma da Previdência de 2019, embora com grau de influência não totalmente quantificado, é um dos fatores que impulsionam a crescente participação de pessoas 60+ no mercado de trabalho.

"A recente reforma da Previdência elevou tanto a idade mínima quanto o tempo de contribuição exigido, o que, consequentemente, incentiva as pessoas a permanecerem ativas profissionalmente por mais tempo", analisa Tokarski.

Com o objetivo de equilibrar as finanças previdenciárias, a reforma estabeleceu novos requisitos: mulheres passaram a precisar de, no mínimo, 62 anos de idade e 15 anos de contribuição, enquanto homens devem ter 65 anos de idade e 20 anos de contribuição para se aposentar.

Anteriormente, mulheres podiam se aposentar aos 60 anos, e não havia idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição para ambos os sexos. Para os homens, a idade mínima não sofreu alteração.

A predominância da informalidade entre os idosos

O levantamento da Nexus revelou que a informalidade é uma realidade para mais da metade (53%) das pessoas 60+ ativas no mercado de trabalho, um percentual superior ao da população geral (38%) e até mesmo ao dos jovens de 18 a 24 anos (41%).

O IBGE classifica como informais os trabalhadores sem carteira assinada e os autônomos sem Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), entre outros. Essa condição priva os trabalhadores de direitos essenciais como férias remuneradas, contribuição para a Previdência Social e décimo terceiro salário.

Para Marcelo Tokarski, da Nexus, a informalidade é uma característica estrutural da ocupação entre as pessoas 60+, o que "indica uma precarização do trabalho" para esse grupo.

Ele observa que esse é "um público que não pode se dar ao luxo de permanecer desocupado". Diferentemente dos jovens, que podem dedicar-se aos estudos ou prolongar a busca por uma vaga ideal, as pessoas 60+ tendem a ingressar rapidamente na informalidade por necessidade.

A pesquisa conclui que a sustentabilidade econômica do país agora exige a implementação de políticas públicas que incentivem a formalização e uma revisão urgente das estruturas corporativas, abrangendo aspectos como ergonomia, benefícios e inclusão geracional.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
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