A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo tomou a Avenida Paulista neste domingo (7), atraindo uma multidão para celebrar e debater a importância do voto e da participação democrática. O evento, que completa três décadas de existência, tem como tema central "30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma", visando conscientizar a população LGBT+ sobre o poder de suas escolhas eleitorais na garantia de direitos.
Desde sua primeira edição em 1996, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo tem sido um palco fundamental para a discussão e o avanço de pautas cruciais para a comunidade. Temas como o reconhecimento da união estável, o direito à identidade de gênero, a adoção por casais homoafetivos e a criminalização da LGBTfobia foram historicamente abordados, culminando em importantes conquistas legais.
Matheus Emílio Pereira da Silva, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), destacou o papel histórico do evento. "Todos os direitos que hoje temos da população LGBT+ passaram aqui pela Avenida Paulista", afirmou.
Silva relembrou conquistas significativas que tiveram a Parada como pauta prévia. "Em 2005 tratamos sobre o direito à união estável e, uma década depois, isso foi reconhecido pelo STF. Já tratamos sobre a criminalização da LGBT fobia. Em 2006 trouxemos esse tema e, depois, o STF também veio a reconhecer isso equiparando a questão da LGBTfobia ao crime de racismo", explicou, ressaltando a relevância da manifestação como catalisadora de mudanças.
Apesar das vitórias, a luta por direitos consolidados na legislação continua. "A gente precisa ainda de um compromisso do nosso Legislativo para assegurar esses direitos na letra da lei – e não apenas com decisões judiciais como nós temos atualmente", pontuou o diretor.
Diante desse cenário, o tema das eleições foi escolhido para este ano. "É importante a gente falar sobre isso para conscientizar a nossa população, em especial as pessoas LGBT+, para que elejam e para que votem em pessoas comprometidas com os direitos da população LGBT e com a sociedade como um todo", enfatizou Silva.
Redução de patrocínios impacta o evento
Este ano, a Parada SP conta com 14 trios elétricos, um número menor em comparação a edições anteriores devido à diminuição de 60% na receita de patrocínios. Essa redução afetou não apenas a organização do desfile, mas também as ações sociais e culturais promovidas pela APOLGBT-SP.
Apesar da menor quantidade de trios elétricos – 14 contra 17 do ano passado e 19 em 2023 –, o público compareceu em peso à Avenida Paulista para prestigiar o evento, que teve início às 10h.
A manifestação contou com a presença de diversos artistas, como Pabllo Vittar, Urias, Gloria Groove e Pepita, além da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello. A ministra ressaltou a importância da Parada de São Paulo, considerada a maior do mundo, e destacou as políticas do Ministério dos Direitos Humanos voltadas para a população LGBTQIA+.
"Temos uma série de políticas voltadas para as diferentes dimensões da população LGBTQIA+. Temos desde políticas ligadas ao empoderamento e à inclusão produtiva, até políticas de acolhimento em momentos de vulnerabilidade", afirmou a ministra, mencionando também o envio ao Congresso Nacional da Política Nacional de Direitos LGBT.
Symmy Larrat, secretária Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, presente ao evento, informou sobre um acordo técnico com o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a produção de dados governamentais sobre violência contra a população LGBT+. "A partir daí, vamos construir protocolos mais institucionais que ajudem em todo o processo, desde o acolhimento da denúncia, até a investigação e o sistema de justiça", explicou.