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Quinta-feira, 10 de Setembro 2026
Economia

Pesquisa revela que 32% dos brasileiros enfrentaram golpes na internet

Levantamento inédito do Cetic.br mostra que 45 milhões de pessoas foram alvos de fraudes digitais, com maior impacto na população de menor escolaridade.

João Vitor  : Opina News / MTB 0098325/SP
Por João Vitor : Opina News /...
Pesquisa revela que 32% dos brasileiros enfrentaram golpes na internet
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Cerca de 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais sofreram golpes na internet através do uso indevido de seus dados pessoais, segundo a terceira edição de um estudo sobre privacidade apresentado nesta segunda-feira pelo Cetic.br, em São Paulo. O levantamento revela que 32% da população conectada enfrentou abordagens fraudulentas, enquanto 20% declararam ter sido vítimas efetivas dessas ações criminosas.

A investigação inédita foi conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área vinculada ao NIC.br e ao CGI.br. O estudo consultou 2,5 mil participantes em entrevistas online para mapear riscos percebidos, hábitos de proteção e a visão dos cidadãos sobre o uso de dados por terceiros no país.

Segundo Winston Oyadomari, um dos coordenadores do levantamento, esta é a primeira vez que a pesquisa analisa diretamente se os usuários identificam as investidas criminosas ou se chegaram a sofrer prejuízos. Ele apontou que a abordagem é delicada, pois muitas pessoas sentem constrangimento e abalo psicológico ao relatar o problema.

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Canais de abordagem e impacto emocional

Os aplicativos de mensagem lideram as vias utilizadas pelos criminosos, alcançando 84% das citações. Na sequência aparecem as chamadas telefônicas (79%), páginas ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), e-mails (69%) e redes sociais (67%).

Oyadomari ressaltou que pessoas que navegam exclusivamente pelo celular relatam mais incidentes em plataformas falsas do que aquelas que também utilizam computadores. A limitação técnica e visual dos dispositivos móveis pode gerar uma vulnerabilidade ainda maior aos usuários.

Além do prejuízo financeiro ou roubo de saldo bancário, as ocorrências causam desgaste emocional intenso e perda de controle sobre contas digitais. O bloqueio de acessos a serviços públicos essenciais, como a plataforma Gov.br, representa um sério risco à garantia de direitos dos cidadãos.

Impacto da escolaridade na segurança digital

O levantamento indicou que indivíduos com menor nível de instrução vivenciam as consequências das fraudes com mais gravidade. Embora todos os grupos estejam expostos, o dano social e financeiro tende a ser amplificado entre a população menos escolarizada.

Diante disso, especialistas reforçam a necessidade de combinar políticas de proteção de dados com o desenvolvimento de habilidades digitais básicas, garantindo que o cidadão consiga navegar de forma consciente e segura no ambiente virtual.

Inteligência artificial e novos riscos à privacidade

A pesquisa investigou o uso de inteligência artificial generativa e apontou que 73% dos entrevistados utilizam a tecnologia para trabalho ou estudo. Contudo, 54% também compartilham sentimentos e 52% inserem informações sobre a própria saúde nas plataformas.

Cerca de 66% dos usuários demonstraram preocupação com o destino reservado aos seus dados pelas empresas criadoras dessas ferramentas. Para a coordenação da pesquisa, a falta de clareza sobre o armazenamento de dados sensíveis reforça a apreensão do público.

Adoção da LGPD no setor privado e público

No cenário empresarial, 69% das companhias armazenam dados de clientes, mas apenas 16% formalizaram a nomeação de um encarregado de proteção de dados (DPO). As adequações mais frequentes englobam alterações contratuais e elaboração de políticas internas de privacidade.

Já no setor público, a criação de estruturas de governança cresceu, atingindo 42% dos órgãos em 2025. O avanço foi impulsionado por municípios de pequeno porte e pelos setores de saúde e educação, que ampliaram os treinamentos sobre segurança da informação.

Para Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, a responsabilidade de resguardar dados não pode recair apenas sobre o usuário. As instituições públicas e privadas devem assegurar transparência, governança e proteção rigorosa para garantir a autonomia dos indivíduos no ambiente digital.

FONTE/CRÉDITOS: Cristina Índio do Brasil - repórter da Agência Brasil
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